Palavras dançam na escuridão, Gestando versos sem fim nem começo. Na solidão, a poesia nasce, E o silêncio se torna minha amiga. E a alma se liberta no papel.
Letras se entrelaçam, sonhos se desfazem, E a realidade se distorce, se desfaz. No labirinto da mente, a palavra Se busca, se encontra, se recria. E a poetisa se perde em seu mundo.
Versos são sementes, poemas são flores, Que brotam da alma, do coração. A poesia é um parto doloroso, Mas também é um renascimento. E a palavra é a chave do universo.
Na noite escura, a luz da inspiração Ilumina o caminho da poetisa. E a palavra se torna uma ponte Entre o real e o imaginário. E a poesia se torna uma prece silenciosa.
Aqui não é o paraíso, mas um lugar Onde a palavra se torna realidade. A poetisa é uma criadora, Que molda o mundo com sua imaginação. E a poesia é sua maior criação.
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Descobri que não sou poeta; não passo de uma alma muda, perdida neste gesto de terra que me jogaram. Poetisa? Quem será que inventou isso? Poetas sofrem angústias apaixonadas; delírios febris; colapsos românticos. Se um dia estive poeta, já não estou; não nesta vida vadia. O poema é uma fantasia luxuosa; ironias fantasiosas de uma vida bela ou triste. Que raios faz o poeta acreditar que pode tecer mais fio nestas estrofes tristes e sem vida? Por mais que haja, ela é uma indolência excessiva; por mais que falhe, ela é uma palavra pervertida, viciada e chorosa. Ah, como os poetas sofrem; ao menos em seus textos, escorrendo lágrimas e tormentos amorosos. O que será o amor para o poeta incompreendido e mal-amado? Se amas, jorra líquidos melosos, ardilosos; entra em estado de êxtase apaixonado. Se traído, constrói muros e muralhas, murmurando uma guerra morta. Mas o poeta é um real platônico; ele vive seu conto; ele chora a lágrima; ele ri do riso; ele ama a ingrata. Poetas sofrem livros; cantam ritmos; pintam aquarelas colunistas. Batizam filhos com seus personagens; declamam suas incoerências para pedras, flores e advogados e médicos céticos. Os poetas são deuses. As poetisas são suas mães enlouquecidas. E ainda assim, escrevem; cansados, sufocados, insistem. Nem sempre por dom ou por febre; mas por bebedeira antiga. Porque abandonar a palavra seria morrer com o lápis em cima da mesa. O poeta vive, mesmo descrente, mesmo gasto e falido; escreve com as sobras, com as migalhas, com as próprias falhas, mas com arpejos. Não há glória. Há insistência nas vírgulas. E um estranho alinhar de palavras, como quem empilha pedregulhos; todo poeta é uma pedra bruta lapidando a inteireza, a emoção, o sentimento, a experiência. Ainda és poeta, mesmo que já não deseje escrever; não é uma escolha justa, não é escolha em si; a incapacidade de calar a palavra vem de outras existências.
O que é ser poeta e poetisa (20 de outubro — Dia do Poeta)
O verso chega silencioso, calado, manso. Chega audacioso, curioso. Chega escrito, não dito. Chega despido e pede roupa, chega nu e pede bênção. Chega lavado de alma, coberto de espírito. Chega brando, às vezes polido, às vezes bruto, como pedra antes de ser joia.
Ser poeta é ouvir o indizível. É traduzir o que o vento cochicha na fresta da janela. É colher silêncio e transformá-lo em som. É sangrar bonito, não por vaidade, mas por necessidade.
Ser poetisa é costurar o invisível, bordar o cotidiano com linhas para a eternidade. É olhar o mundo e ver o que ainda nascerá. É carregar dentro do átrio um rio que nunca se cansa de correr.
Poetar é rezo e é ferida. É zelar pelo sagrado das palavras, sem nunca possuí-las. É deixar que elas te atravessem e te curem, e te queimem, e te revelem.
Porque poesia não se escreve, se incorpora. Ela escolhe o corpo que quer habitar, a voz que quer usar. E quando vem, não pede licença, chega. Chega e fica. Chega e transforma. Chega e nos devolve o milagre de sentir.
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