O corpo que habito

Eu tenho um corpo que habito.Um corpo velho e fatigado.Ossos quebrados.Luzes afastadas.A dignidade roubou a cena.A mente, de tanto abrigar, também se faz lapso e ruína.Há um momento em que o corpo deixa de ser promessa distante e passa a ser testemunho vivo.Testemunho do tempo.Das perdas.Daquilo que não voltará a nascer.Daquilo que já não pode… Continuar Lendo →

A pomba me contou um segredo

Fervi lágrimas em silêncio.Pilei grãos na dureza do coração.Misturei açúcar e coco fresco.Cozinhei dias e noites. Evitei palavras e olhares.Passei café com meus avós,acendi memórias, velas e incensos, dei água a quem tinha sede,e fiz ladainha no cruzeiroque virou o meu átrio. Chorei. Choramos. Gargalhamos. Èsú me ouviu.Seu pavio virou fogueira. Meu Pai preenche e… Continuar Lendo →

António de Categeró

António, teu nome chega devagar, como cadeira arrastando no terreiro antigo da memória.Há santos que vivem nos altares.Tu escolheste as portas.As entradas gastas, os corredores estreitos, as esquinas onde o povo baixa a cabeça para continuar vivendo.Te encontrei numa manhã de calor excessivo, entre passos cansados no Largo, quando o Centro inteiro parecia mastigar ferrugem... Continuar Lendo →

Do Flerte a Flecha.

Despir o espírito em notas suaves de rosas. Despir a alma em notas sagradas de orações. Despir o Átrio em notas suadas de gratidão. Despir o corpo em notas ousadas de traduções. Olhei o corpo que trouxe, beijei a mão e colhi as palavras. Agradeci a voz, confirmei o canto, dancei o bramido que provocou.... Continuar Lendo →

Copo da Sede

Não é o vazio do copo, Nem a ausência da sede. É o ser gritante na dose, Ignorância, não ter. Lamento, não ser, Indiferente, não ver. Não é o transbordar do copo, Nem a sede da dose. É o ser escorrendo na sede, Ignorância, não ver. Lamento, não ter, Indiferente, não ser. Percebo, não consigo... Continuar Lendo →

E Sou

Estou Peixe, e sinto o chá ardendo na mente. Entre uma escama e outra, penas renascem. Estou nadando, ultrapassando o voo das pedras. Estou na chuva, e gotas revelam seu rosto na entrada da floresta. Entre nuvens, coquetéis, brechas vazias, pétalas no jardim, a piscina ecoa um tom quase Jobim, quase rústico... Estou quase céu... Continuar Lendo →

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