Estou Peixe, e sinto o chá ardendo na mente.
Entre uma escama e outra, penas renascem.
Estou nadando, ultrapassando o voo das pedras.
Estou na chuva, e gotas revelam seu rosto na entrada da floresta.
Entre nuvens, coquetéis, brechas vazias, pétalas no jardim, a piscina ecoa um tom quase Jobim, quase rústico…
Estou quase céu amarelo.
Estou ave, e de rapina em céus vermelhos, roxos, cinzas.
Entre os feixes da lua branca, veja-me.
Sinta a fumaça nos perfumando.
Estou voando; o mergulho é longo e frio.
Estou luz, e as folhas brilham ao sol do seu rosto.
Entre um vento apertado, esvoaçam e dançam.
Estou numa consciência branca que invade os olhos d’água.
Estou terra, e pintei o rosto com barro; tingi os lábios com beterraba, quis sentir seu gosto.
Entre galhos secos que pendurei na orelha,
Estou lembrando do inverno seco e gelado em que adoeci.
Estou fogo, e sigo queimando o resto de pele que esconde ócio, amor e destroços.
Entre servir e ouvir orações, emanando rezos.
Estou na fogueira; escorrerá, porquanto o tambor não revelar o som do novo dia.
E por hoje, estou lua.
Como uma pantera negra que observa de longe, sem pressa, sem estresse, sem fome, aguardando a oportunidade de encontrar-te ao topo da montanha de neve.

Inspiração, 10 de fevereiro de 2020.
Sabe de quem é a Arte? – Imagem: Pinterest
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