Retrospectiva 2019

Outono, o vento soprou forte…

Alguns tapas da areia. Uma gota, duas gotas, arrancadas dos olhos, uma fogueira fria!

Os cabelos esforçaram-se para permanecerem dentro das curvas do trançado (Quase cortei, mas…).

Os lábios secos e ressecados, abriram-se, como a terra árida do sertão, o gosto do sangue é inevitável, sua boca também, mas, você não vem.

A consciência, trava as palavras, um sussurro abafado ecoa em meio ao vento. A voz, o sorriso, o olhar, as pegadas sumindo, o barulho, o pulsar.

Inverno, a pele sensível, fresca e rebelde, grita, entre uma estação e outra, num vento noroeste ou nas tempestades sudoeste.

Estou trocando de pele, como cobra, desaparecendo, ficando invisível.

O inverno que não fez frio, mas que congelou as águas, as lágrimas, os pés, o corpo, os sentimentos, os quereres, os receios, o espírito.

Nos enrolou, me congelou.

Inverno que cortou os vínculos, os vícios, as dependências, os indícios do naufrágio, como o Titanic colidindo no iceberg.

E a primavera ficou diferente…

Sem a colheita das flores, sem as borboletas, com poucas abelhas e com a disseminação das sementes…

[Quem colhe, planta.]

E choveu, como choveu. E molhou as folhas, o rosto, os girassóis, transbordou a mente, evoluiu a febre, mas, não molhou os lençóis; ainda encharcada do último mergulho.

As aves voaram, alguns pássaros retornaram, algumas plantas deram frutos, e outras, murcharam, e o governo envenenando tudo.

O país do pau pintado de vermelho, de uma bandeira política, de divisão humana, país da intolerância, da ignorância e da ganância.

A lama pintou o rio, o óleo apareceu, a mata queimando, lares morrendo, meus ancestrais sangrando.

Um oceano inteiro a frente do corpo, um mar gigante engolindo a mente.

Quantas ondas terei que furar até chegar na calmaria que a alma solicita?

Sem sede na febre
Suco do sorriso
Sentir o sumo do líquido
Beijar o espírito
Deliciar a nudez da alma

É quase Solstício de Verão, entre tantas coisas listadas: Quero-te!

Não como status ou um corpo na pele, quero como um aroma para minha mente, fogueira na minha lua, erva na minha boca ou inspiração para minhas poesias.

Gratidão, Cassie!

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