Estava programada para subir até as nuvens lilás, até a entrada da casa do sol. Um texto sem cor, sem linha tênue, sem sentimentos, achismos, divindades, poesias ou flores. Um texto vazio, só palavras e algumas estrofes. Preparei uma escada de cetim, trançada com renda e pérolas. Estava pronta para subir com os versos. Levaria… Continuar Lendo →
O corpo que habito
Eu tenho um corpo que habito.Um corpo velho e fatigado.Ossos quebrados.Luzes afastadas.A dignidade roubou a cena.A mente, de tanto abrigar, também se faz lapso e ruína.Há um momento em que o corpo deixa de ser promessa distante e passa a ser testemunho vivo.Testemunho do tempo.Das perdas.Daquilo que não voltará a nascer.Daquilo que já não pode… Continuar Lendo →
António de Categeró
António, teu nome chega devagar, como cadeira arrastando no terreiro antigo da memória.Há santos que vivem nos altares.Tu escolheste as portas.As entradas gastas, os corredores estreitos, as esquinas onde o povo baixa a cabeça para continuar vivendo.Te encontrei numa manhã de calor excessivo, entre passos cansados no Largo, quando o Centro inteiro parecia mastigar ferrugem... Continuar Lendo →
Namorado, VI
Esse ano não tem carta. Tem algum doce de lástima e cansaço. Vou escrever é para o António, talvez ao Marujo. Talvez eu vá à feira comprar camarões vermelhos, farinha de milho, cebola roxa e alguma flor para colocar na mesa. Talvez compre um ramo de alecrim para enfeitar o copo da vovó. Os anos... Continuar Lendo →
Batatas
Asterix, Ágata, Baroa, Yacon… escolha uma, descasca com calma,retira a casca como quem tira o peso do dia.Água no fogo.Pimentão amarelo (ou vermelho, se o coração pedir),orégano que perfuma,açafrão-da-terra que aquece,sal na medida do afeto.Cozinhe sem pressa, amasse com vontadee elimine a raiva junto com os grumos.Amasse mais uma vez, até virar aconchego.Adicione creme de... Continuar Lendo →
Do Flerte a Flecha.
Despir o espírito em notas suaves de rosas. Despir a alma em notas sagradas de orações. Despir o Átrio em notas suadas de gratidão. Despir o corpo em notas ousadas de traduções. Olhei o corpo que trouxe, beijei a mão e colhi as palavras. Agradeci a voz, confirmei o canto, dancei o bramido que provocou.... Continuar Lendo →
Copo da Sede
Não é o vazio do copo, Nem a ausência da sede. É o ser gritante na dose, Ignorância, não ter. Lamento, não ser, Indiferente, não ver. Não é o transbordar do copo, Nem a sede da dose. É o ser escorrendo na sede, Ignorância, não ver. Lamento, não ter, Indiferente, não ser. Percebo, não consigo... Continuar Lendo →
E Sou
Estou Peixe, e sinto o chá ardendo na mente. Entre uma escama e outra, penas renascem. Estou nadando, ultrapassando o voo das pedras. Estou na chuva, e gotas revelam seu rosto na entrada da floresta. Entre nuvens, coquetéis, brechas vazias, pétalas no jardim, a piscina ecoa um tom quase Jobim, quase rústico... Estou quase céu... Continuar Lendo →
Dia Mundial da Poesia
Palavras dançam na escuridão,Gestando versos sem fim nem começo.Na solidão, a poesia nasce,E o silêncio se torna minha amiga.E a alma se liberta no papel.Letras se entrelaçam, sonhos se desfazem,E a realidade se distorce, se desfaz.No labirinto da mente, a palavraSe busca, se encontra, se recria.E a poetisa se perde em seu mundo.Versos são sementes,... Continuar Lendo →



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