Gira o Sol…

Temperaturas, duetos com chá, brindes com Bourbon e salmão.
Medicina oriental, as mãos sobre a pele, visão turva, erupção mental, inspiração, desejos.
O olhar, a febre silenciosa.
A paisagem azul de Gogh, meu estrabismo, é a paisagem natural da realidade.
Girassóis murchos no vaso seco, sem água, luz ou vida.
É um dos quadros mais famosos do mundo: nove flores reluzentes, falecidas em uma paisagem sarcástica, criada por Van Gogh, uma pessoa com depressão.
É liberdade saindo da cama dele, é o afeto em tons pastéis, com faces de medo, temor ou busca.
O que buscava Van Gogh? Sua liberdade, seu encontro, o afeto, sua essência?
Vincent amava, mesmo perdido em sua confusão mental, mas será que não se sentia amado?
Afeto externo nunca será suficiente se o interno não estiver convencido, bem nutrido.
Quanto dele ficou preso nessas telas?
Era para ser só um texto sobre a febre, para fazer girar o girassol em teus olhos, para borrar o tom azul com a tintura viva desse quadro amarelo, traduzindo liberdade encarcerada…
Para ser livre em um todo.
Para desprender os passos dos caminhos que acorrentam e levam o sorriso dos olhos.
Dialoguei com o ego, as paranoias, observei a delicadeza do caminhar, pensar, agir e olhar.
A essência pura sobre a epiderme…
Tira o peso dos olhos, sorria.
Precisamos ir, rir… girar!
Gira, Sol! Gira mais uma vez.

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