Fluxo interrompido

O afeto esfriou. Um frio que escala a femoral, a ilíaca e congela a veia cava inferior. O átrio não suporta, morre sufocado. Não há ar que aqueça tanta indiferença, sofrimento, mazelas. O corpo social emergiu em colapso. O que antes pulsava em rede agora se retrai como capilar que perde o fluxo. Eu vi... Continuar Lendo →

Domingo, esse esnobe de chinelo.

Domingo, esse dândi ensolarado de meia furada e croissant requentado, desfila pela semana como se não soubesse que é o dia mais hipócrita do calendário. Um paspalho engravatado de preguiça, com ares de conde em férias, fingindo neutralidade entre o caos da sexta e o martírio da segunda. Ah, o domingo. Esse aristocrata falido que... Continuar Lendo →

Ao Passo do Passado

Por onde esteve o antigo baú, guardião de segredos e histórias esquecidas?Quantas léguas de bruxaria, mistério e dor sobreviveu o velho baú?Baú mofado, largado, naufragado, testemunha silenciosa de eras passadas. Ó D-us das deusas esquecidas, das bruxas queimadas, das mulheres apedrejadas, das índias violentadas, das irmãs acorrentadas,que choraste lágrimas de sangue e dor,que ouviste gritos... Continuar Lendo →

Ah, Geremias!

Os meninos são anjos caídos,Olham como se fossem donos do trono,Vestem como se nada houvesse. As meninas são diferentes…Não são como Eva, Lilith ou Esmeralda…Dançam, mas não evocam nada,Suas saias sem roda, não giram nada. Ah, Geremias, cuida das nossas meninas! Os idosos são sofridos,As crianças parecem mentiras,E nós, os adultos, somos os piores! Não... Continuar Lendo →

Uma rede de destino

Uma rede de destino, tecida ao longo da caminhada, te envolve em suas malhas intricadas, ligando-te a um passado repleto de segredos e mistérios, como uma rede de pescador que é lançada ao mar. Quantas vidas foram traçadas em tua alma, como um hieróglifo cifrado, aguardando ser decifrado? Nas amarras de sobre vidas e vindas... Continuar Lendo →

Impresión

É preciso interpretar papéis? Precisamos de documentos que comprovem nossos nomes e apelidos, que afirmem que nosso rosto é o reflexo do povo. Precisamos de computadores para confirmar passaportes, de letreiros e luzes para decolar, de carimbos autorizadores de desembarque e de etiquetas nas caixas. Precisamos de identidades eletrônicas, para evitar o olhar nos olhos... Continuar Lendo →

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