
Parfum, o cheiro na pele, o aroma no lençol e nunca estivera nele. Importa a essência do afeto, o sentir sem ser, sem precisar ser. Não soframos! Saboreie os aromas vivos, os sentimentos possíveis, os imprevisíveis.
Providencie, prove todos os gostos, experimente o doce, o amargo, o suprassumo. Prove cada partícula de água que a pele liberar, cada grão de sal que sair dos poros, até os dos olhos. Faça provação de tudo.
Notas suaves, excêntricas, cores com todos os tons permitidos. Faça tudo ao seu prazer, com prazer! Toca, arranha, aperta, sufoca e puxa! Faça sentir a ausência do ar, penetre até a escuridão. Grite!
Do prazer ao anseio, do essencial ao furor, do silêncio até os segredos. Cultive das formas mais sublimes, nos toques mais sutis; insubstituíveis. Embeleze a presença e a ausência, sem paradoxos na conquista. Queira.
Em brasa ardente que consome no calor da fogueira, queime em noites eternas de amor, em dias de frias madrugadas. Seja um pluma no espírito, sinta o cavaleiro dos contos de outrora, o perfume para a alma.
Ame, conjuga, tire o meu verbo do futuro do pretérito, aceite o toque, o desejo, a troca, se banhe do mel, aceite o fel. E respire, e volte para realidade. Ventile.
Aterrisse no jardim não imaginário, saia do campo do tempo, desprenda o ar do pulmão, inspire e me prenda. Passeie para além dos sonhos inexplicáveis, bagunce cada desejo, não sabemos onde, como, se neste tempo ou noutro, mas por gentileza, faça presente o aroma, com seu toque nada suave.
Arranque todas as flores, cada pétala, transforme-me no perfume. És o perfume mais próximo do amor. Suportemos! Despedaça-nos, se preciso for, com consentimentos.
Nota: E ainda nem sentiu o aroma! Bom dia, Passarinho. Que perfume usas?
Nota: Queria justificar o texto, dizendo que estou bêbada, mas vou culpar a insônia. Na verdade, o aroma que senti é quase um déjà-vu.
Imagem: Pinterest



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