
Dias de seda e fogo, rotinas que se desfazem,
um café amargo, mãos que anseiam…
Versos soltos, desassossego que arde.
Sol nas plantas, roupas dançando no varal,
água que beija a pele, sal que marca o destino…
Imaginei as pedras portuguesas testemunhando
sua beleza, enquanto o sol queima seu rosto
com um beijo de fogo.
O mar está para peixe?
Entre versos e pensamentos, vozes ecoam,
falas corriqueiras, conversas mais profundas,
senti sua falta.
Um toque de creme facial; seu riso ressoa,
seu olhar provoca e reprova o aroma alérgico.
A máscara virou sedução?
Lavei o rosto, buscando motivos para esquecer.
Tempo demais?
Retirei-me, mas encontrei meu corpo exposto,
pingos da máscara, banhei-me em pensamentos preteridos.
Sequei o rosto, vi seus olhos no espelho.
Encarei profundamente, escrevi uma frase sobre você,
paralisei na leitura, desfiz os sussurros.
Deveria falar outras palavras, manifestar menos,
repreender-me. Mas desejos são flores que desabrocham,
em segredo, sem palavras.
Desejos devem ser degustados em pequenas doses.
Em quantas? Quando a linha do desejo se rompe?
Quando o coração para de bater? Quando o livro acaba?
Se eu não escrever o último capítulo,
conseguirei continuar desejando? Consigo imaginar…
A lua em Câncer, um suspiro molhado,
mais um desejo etéreo. E a emoção evapora
no primeiro êxtase de gemido. Prefácios.
Imagem: Pinterest



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