Praia vazia, céu azul, lilás, cinza. O vento sussurra segredos na maré. Ela pranteia a ocasião, mas quer estar sozinha, faz o que quer, e se desfaz no abraço salgado do mar. A areia molhada é um leito saudoso, gostoso. O som da chuva batendo nas ondas traz uma serenata lúgubre. Água e sal, uma mistura bondosa, mas às vezes amarga. Ela quis, mas o destino não. Um furor a decepcionou. Em êxtase, ela se entrega ao vento; sua dor se envolve na brisa, um canto ao desespero, uma odisseia bruta, salgada, azeda, doce. Sua lágrima é doçura, até quando chove, mas é amarga enquanto sorri aos olhos de quem a vê. A decepção cai como chuva, sem fim. Silêncio no coração, ela busca respostas, mas só encontra o vazio daquela praia. Ouviu os arquivos da memória, guardou segredos nas conchas, desfez-se de rainha, virou uma sortílega. Praias guardam segredos, aliviam as dores, constroem sonhos.




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