Nasso: responsabilidade sobre o que é elevado

Nasso, “levantar”. E a pergunta que ecoa antes mesmo da leitura começa não é o que será levantado, mas quem está disposto a se levantar.

Levantar o quê em nós quando o peso já virou costume? Levantar a consciência ou apenas os braços do rito automático?

Levantar a voz ou finalmente escutar o silêncio que D-us também fala?

Nasso não trata apenas de elevação, mas de responsabilidade no caminho do sagrado.

Os levitas carregam o Tabernáculo, mas não o possuem. O que significa carregar o que não nos pertence sem profanar o ato? O que é sustentar o sagrado sem transformá-lo em controle?

Rashi observa que “nasso et rosh” pode ser entendido como elevar a cabeça, mas também como dar contagem, dar atenção ao que tem valor. O que você tem contado dentro de si? O que você tem ignorado por falta de peso visível?

E aqui surge a tensão de sempre, segundo o pensamento de Maimônides, a elevação espiritual não é fuga do mundo, mas organização ética dele. Então pergunto, você tem se elevado ou apenas se afastado da realidade que te pede ação?

Salmos 127 diz que se D-us não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Mas quem percebe quando está edificando com ego disfarçado de devoção? Quem reconhece a diferença entre zelo e controle?

Salmos 128 fala da bênção que acompanha o caminho de quem teme ao Eterno. Mas o que é temer D-us senão viver com atenção constante ao impacto das próprias mãos? Você tem abençoado ou apenas sobrevivido ao que constrói?

Salmos 129 recorda as dores longas de quem foi afligido, mas não consumido. Quantas vezes você já foi pressionado e ainda assim permaneceu? E mais importante, o que você fez com a força que sobrou depois da dor?

Hoje é fim de maio. Amanhã começa junho. Mas no ritmo iorubá, o ano não apenas muda, ele respira outro Odu, outro desenho de destino em camadas invisíveis. O que você pretende fazer com o ciclo que está sendo reposicionado dentro de você agora? Vai repetir ou reorganizar?

Em tradição cabalística, o levantar não é verticalidade moral, é alinhamento entre intenção, ação e consequência. O Ari Zal ensinava que cada ação humana reverbera nos mundos superiores. Então pergunto novamente, você está consciente do eco do que faz?

Exerça seu sacerdócio com responsabilidade e sabedoria. Uma vez solicitado uma ação, faça!

Levantar, em Nasso, não é sobre altitude espiritual. É sobre sustentar o peso do que foi confiado sem quebrar o vínculo entre o sagrado e o cotidiano. O que em você já está pronto para deixar de ser intenção e virar caminho?

E ao atravessar este mês, talvez a única pergunta que reste seja simples e incômoda: estamos realmente levantado, ou apenas sendo carregado pelo tempo?

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