Devia Ser Proibido Chuvas Noturnas.

Dorme, Amahris, sob o céu choroso,
A presença tua me basta, não os silêncios.
Volta a sonhar sonos antigos,
Sorria para si e amanheça em meus cachos.

Por aqui, só chuva, melancólica e fria,
Que me pira, invade, torce sono e sonhos.
Desprazer que pinga, molha, canta,
Devia ser proibido chuvas noturnas.

Há uma proibição: não chova!
Sonhe! Alcance voos, modele planos,
Dance alto, intocável, construa sonhos,
Grite meu nome, me acorde, me queira.

Me toca, me excita, me beija,
Nos beija, Amahris, solução curativa,
Líquido tóxico que eleva desejos,
Falece ânsias, memórias que me consomem.

Acorda, querido, lava o rosto amarrotado,
Cospe o sapo engasgado, líquido ríspido.
É a linha do marco zero, congelando cidades,
Fervorosas, sob o manto noturno.

Não, é só chuva, que me lava, apaga,
Como se despisse o vestido não ousado,
O beijo que nunca entreguei, basta!
Eu penso que basta, mas nunca provei.

Saí dos sonhos, Amahris, vem para o nosso mundo.

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