Que Recomendas aos Desejos do Corpo?


O que provoca a queda? Corpos. Volúpias. Voltas que não trazem os pés. Extensões em imagens: a mente derruba a gente.

Estou caída sobre as próprias mãos, com um rosto riscado no cérebro. Caída com um “olhamos um para o outro, mas não nos tocamos”, com um “amamos um ato um do outro e não nos conhecemos”.

Caída numa garrafa alcoólica que ainda não efetuei o pagamento; ela carrega o nome que inventei para esse corpo ser meu – sem oblíquos e com posses inteiras de nós.

Eu continuo abstemia! Do gin, do corpo que fito na alma, do ser que aprecio na mente, da alma que solicita nos sonhos, da fala aos ouvidos, do nome que destruirá todas as armaduras.

Que bom que treinas. Não é muito diferente lutar com anseios, com frustações, inseguranças, distâncias; os hematomas do corpo se curam com as mesmas receitas. Que recomendas aos desejos do corpo? E para as questões da alma?

Grandes faltas: no corpo, na mente e na alma. Meu lugar constante: a alma solitária e distante, o corpo recorrendo às falhas, às faltas, aos versos, aos desinteresses da vida.

Quão fraco é o corpo inerte na vida? Morto, meu corpo, viva sou na mente, forte sou em não desfalecer o amanhecer. Corpo baldo que mente, transparente é o semblante das almas.

Onde está regulado que as faltas corrompem o homem? Os desejos consumidos e as culpas consumadas matam o espírito dos corpos. Matam a criatura, destróem as linhas enamoradas, as estrofes, os textos verbais imaginados.

Mas, por hora, observo a moça imoral e desprendida com dois homens insultando o corpo, e ela apenas tomba sobre o rosto riscado. A liberdade e a libertinagem são duas velas acesas com pavio embebecido do mesmo azeite.

Liberdades desassossegadas: pessoas distantes, em versões complexas aos desejos. Ah, os semblantes! Olhos que miram de longe. O que olham? O que veem? Por que observar? Distraídos!

As mãos atadas por longas faixas, dessas que preendem ternos brancos ou das que seguram os troncos… o suor do corpo que escorre os extensos eferentes, a liberdade aferente da libido abraçando os braços e os egos.

Ahhh, as mãos sob o corpo! A mente destrói o ser, mas da corpulência tenho interesses. Cobiçado corpo! Fazei dele princípios e poesias, um para o antes, um para o depois.

Quantas voltas são necessárias? E se começar pelos pés ao invés das mãos, em quanto tempo devemos chegar aos lábios? Quero o espesso do corpo sumindo com as queixas dos músculos, quero a grandeza das palmas tatuando as nádegas, líquidos hidratando todas as células, lábios ablando sussurros traduzidos.

Quais línguas traduzem os corpos? – ¡A mente derruba!

Nota:

1 Lembrei de alguns textos.
2 Crie uma galeria comigo? De paisagens nossas. Com situações interessantes e assuntos que não assustam.

Inspiração, maio 2022.

Imagem: Pinterest

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