
72 horas sem dormir, 6 meses desanimadores, alguns centímetros de madeixas na terra. Banhos de raíz, folhas e flores, perfume sem cheiro, defumações, milhões de espirros.
Uma gralha e um espelho: vi meu reflexo ontem no espelho que só comprei hoje. Ganhei regalos; uns desfiz, outros nem sabem que foram presentes; obrigada!
A quem me reiniciou em meio aos barulhos internos, onde o corpo desfalecia, por me tirar do limbo, por me incentivar quando a fuga parecia fácil. A quem atirou a faca e me ensinou a amolar, a quem toca o tambor que ecoa meu Espírito. Obrigada.
Gestos pequenos mantêm meu coração aqui. Eu não morri, Mãe. Eu disse que não morreria, mas não tive tempo, pois minhas lágrimas eram por razões maiores. Seu vento mantém meus pés erguidos; eu invergo, mas ainda posso voar. Se caio, rezo e ergo minha coluna. Todo solo é sagrado, não importa o lugar, a porta ou quem fez. Importa quem está lá.
Eu morri muitas vezes, Mãe, mas seu legado me fez mais forte. Faltou coragem para forjar ferramentas, mas descobri o amor fraterno. Em cartas escritas à beira-mar, encontrei vida, não apenas existência. Uma essência que pulsa, respira e ecoa, refletida no meu espelho, em nós.
Como eu poderia morrer? Minha filha vive, eu também.
Eu não morri, Irmão. Coloquei ferro e terra no vaso, deixei brotar vida, enfeitei cabeças com sambambaia, coloquei rosas no altar, molhei pés na casa da sua Mãe e chorei enquanto o marujo se perdia no mar.
Como eu poderia morrer? Meu coração navega consigo. Com você, em cada onda. Sorri para sua memória. Para sempre, irmão, para sempre!
#autoconhecimento #leiturarecuperativa #poesiadodia #literaturaindie #temflor












Deixe uma resposta