Eu Morro

Eu sempre morro.
Ao pôr do sol, eu morro.
Morro quando fecho a porta e tiro a roupa do dia,
morro enquanto a água do chuveiro escorre os restos mortais
amontoados sobre a epiderme.
Morro quando coloco a roupa que virou pijama de inverno,
quando as estrelas invadem as janelas dos quartos,
quando mergulho no alcatrão da noite.

Eu sempre morro.
Ao pôr do sol, eu morro e ressuscito.
Acabei de morrer o dia de ontem.
Agora, estou viva no dia de hoje.
Olá, não sou a mesma de ontem.
Essa que você leu, apreciou, viveu, amou, morreu!

Qualquer coisa do ontem morreu junto,
na sombra da Luz que alumia sóis e luas.
Morreu. Eu morri o ontem com tudo que havia vindo com ele. Inclusive, eu.

Eu sempre morro.
Ao pôr do sol, eu morro e ressuscito.
E ontem, quando morri, algo a mais morreu comigo,
e hoje, não ressuscitou…

Inspiração, Agosto de 2021.

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