Este texto, sem cor, sem rima,sem música ou melodia,não oferece esperança.Despojado de vontades,os desejos estão nus —sem sentimentos.Este amontoado de letrasexala odores ruins.Ninguém merece estar aqui,nem você.O ar está impregnado de cheiros:morte, sangue, perfumes,álcool, cloro e nicotina.Dipirona misturadaao cheiro da própria morte.A morte tem endereçose tem cheiros.Neste exato momento,alguém está morrendo.Sentimentos mortos são enterrados,queimados, incinerados.Crianças... Continuar Lendo →
Corpos Vazios Deambulam
Corpos vazios deambulam, Sem alma, sem voz, sem vida. A existência não é um hospital, Onde a dor se eterniza. O que deveria gritar, corrói o espírito, Em silêncio sufocante. A vida não é um cemitério familiar, Onde lembranças mortas pesam. Corpos vazios deambulam, Deambulam só, sem rumo. Acompanhados apenas pela sombra, Ao norte, onde... Continuar Lendo →
Abraço para quem é de abraços!
Estranho presente. Senti que a vida é brecha que desperta no céu. Ah, mas Cassie, nem creio nesse tal de céu, dilúvio, barco de pesca. Nem nós. O que acreditamos é no invisível que não vemos, no soprar que nos desperta em cada manhã, no sentir que faz o coração bombear oxigênio sem solicitar quase... Continuar Lendo →
Quem faleceu?
Quem faleceu? Continuo sonhando contigo – é sempre tão bom, mesmo quando é ruim.
Acho Que Sonhei com Marina.
Acho que sonhei com Marina. Ela ria, sorria, ela criava. Acho que foi com Mari e quintais cheios de folhas espalhadas, voando com dentes-de-leão e garças... Acho que com cachorros bonitos correndo entre mamoeiros. "Cê planta inhame nesta casa?" Com estacas! Eu entendi o recado. Acordei tentando descrever tudo que senti, ouvi e vi; inútil.... Continuar Lendo →
Uma Muda de Coentro?
Uma muda de coentro, duas alpargatas, cem fios de cabelos brancos, uma agenda antiga do ano em que a vida parou. Perdi dois anos. Deve ser esse o pensamento ou sentimento, mas ganhei um ano guardada nas mãos da Existência; mesmo morta, sobrevivo nos belos cuidados do Eterno. Caixas de papelão, compras demais, mudanças de... Continuar Lendo →
Roda Essa Carroça.
Óculos, sutiã azul-celeste, calcinhas rendadas, um livro de receitas, latinhas com agulhas, botões e moedas, uma pelúcia espirituosa como a Emília do Sítio do Picapau Amarelo, uma bolsa de retalhos, dinheiro amassado, suado, guardado à custa de dias de fome. Para onde será que vai o ônibus de Débora? As folhas do cajueiro anunciam a... Continuar Lendo →
Quando é o último suspiro?
Tu Sabes... Quando é o último suspiro? A última palavra: um basta, um até logo, um eterno nada. Sentisse algo? Desejos na mente... Quando é a última vontade? A última porta a ser aberta? Tu Sabes... Quando a criança deixa a infância? A última falta: a necessidade de longos abraços... Sentisse nada? Cargas d'água! Quando... Continuar Lendo →
A Vida é uma Espiral…
Duas macas Duas crianças Uma indo Outra vindo Dentre todos os acordos, não há coincidências. Que haja bondade em suas vidas.












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