Meditação: Sua oração | Isaías 6.
Devia dissertar sobre o toco do carvalho que fica ao ser cortado, sobre quando a chuva vem e encharca o toco, sobre como a luz do sol alimenta a vida. Onde fica o quarto dos serafins?
Devia dissertar sobre a brasa que queima os lábios, sobre o aroma da fumaça que sobe direto pra casa de D-us. Posso tocar nas asas?
Devia dissertar sobre a cegueira e a surdez que habitam, mesmo após o toco provar que as raízes nunca foram retiradas. As folhas brotaram, galhos cresceram, novos frutos semeados. Mas a grande maioria foi dissipada na cegueira arquitetada pelo próprio D-us.
Devo fazer a espada com madeira da gameleira?
Devia dissertar sobre as vertigens que surgem nas alturas. E nem é receio. Não existe medo com seis árduas asas. Existe o som abafado das duas asas batendo sobre os corpos.
Deixaria-me segurar a brasa?
Devia dissertar sobre o mergulho nas águas do Siloé. Sobre qual cor teria a profundidade nessas águas. Serafins, molharíamos a alma ou ficaríamos nas margens?
Devia dissertar sobre onde escondes o rosto. Sobre os pousos esplêndidos na árvore de algodão. Dissertar sobre a melodia que gira-nos no balé das estrelas. Sobre os pelouros estacionados no tempo, nos antigos muros na costa. Sobre o incenso de mirra e sândalo.
Há luz no rosto, serafins?




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