Turista

Eu, sempre turista, nunca resido.

Desejos em dunas desérticas.
Sedimentos esvoaçados em países turísticos que nunca habitei.
Tem montanha-russa no azul da lagoa?

Sou turista nos homens que morei.
Ah, orai por calçados que nunca usei.
Ah, orai por botões nunca pregados em camisa social.
Ah, orai por saquinhos de sílicas esquecidos nas gavetas.

É o cheiro do mofo.
É o amargo do cálcio.
É a moeda no cofre.
Ou vestígios em solidão?

Desejos em falésias argilosas.
Nos acidentes geográficos, nas cidades turísticas que nunca estive.
A Praia do Amor tem pipa?

Sou turista em homens que habitei.
Ah, orai pelo saco bolha.
Ah, orai leite derramado.
Ah, orai pelo umbigo cortado.

São sorrisos sem bússolas.
São mãos que não gozam.
São lábios que não tocam.
Ou prestígios da vastidão?

Pontos sem vínculos.
Faisco nas almas que tráfego.
Nômade na alma que habito.
Turismo, um círculo no giro.

Eu, sempre turista, nunca resido!

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