
Esquivo-me de dois mil restos de pertencimentos,
Na tentativa vã de sabotar a coragem
Do não ir a lugar nenhum ou de ficar presa
Em alguma zona.
Necessárias não são as grades…
Um copo mísero de café barato
Nos prende a alma e a vida.
Pães sem fermento, adormecidos,
E vão-se a paz e a sombra do meio-dia.
A quebra e há queda,
Na reclusão, o desjejum.
Dois copos da água desse café amargo e caro.
Doze pilas em um pilão que não desce,
Nem com mágica, nem com poesia.
Prefira a água quente ao café nocivo
Que enclausura o cérebro.
No casco, seca e molhada no orvalho
Da lua cancerina, e ao engolir, morro
Entre o exaustão do corpo e o estupor
Nos pensamentos…
Acordo, estou sozinha.
Essa geometria astrológica,
Cheia de números, contas e contos,
Só serve para emaranhar tudo
Que já sabia: estou, não sou.
Estou só em um café frio.
Esquivo-me de três mil incertos sonhos,
Na tentativa nula de não encontrar
Nem luz, nem sombra,
De não esbarrar em nada
Que me obrigue a conviver
Com a piscina transbordante
De ignota e melindre que está logo à frente.
“No barco, mil motivos para acelerar…”









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