A verdade tem muitas versões; a verdade é inconstante. Questionaram-me por não ter escrito sobre o Natal. É verdade: citei-o levemente em alguns textos, mas não mergulhei na piscina de luzes com aroma de pinha velha e rabanada que o Natal carrega.
Longe do Natal, também não escrevi sobre os pais, avós, sogros. Acho que citei as mães; falei de ser criança, da fogueira do João, do namorado; citei minha passarinha e anulei o médico. Descrevi olhares, sonhos, desejos e saudades. Poetizei distâncias, voos, pôr do sol. Escrevi silêncios… e senti-me perdida.
Chorei e postei um “Mulher, tu é foda!” no status do WhatsApp. Não sei. Não lembro. Mas sei que sou foda e ligeiramente tonta. Eu falo de muitas situações, escrevo ao acaso, marco datas, visões, pesadelos. Escrevo no movimento do fogo e do vento, na brasa que queima a pele e os anseios dos medos.
Rabisco a música que ouço e as estradas por onde não ando. Descrevo o ritmo e o concerto que entra aos ouvidos. E se decidi ir e vir, tanto faz; o clímax do texto, do começo, do fim, é como o Natal e a estrela no alto da árvore: ambos almejam o nascer do milagre.
Não recordo pedir milagres, mas agradeço todos. Se vivo, respiro e suspiro, é por um. É por milagres. Você acredita em milagres?
Feriados e datas comercializadas, é isso que penso, que acho e que comemoro no Natal. Yeshua, é o ano inteiro, o tempo todo, tipo mãe, pai, avós, tios… cunhadas, primos… famílias! Já as datas criadas são necessárias e têm significados agregados e valores passados.
Conforme os anos passam, assustam essas tradições e costumes, e os bons se vão. A mágica do Natal esse ano está numa taça com vinho gaseificado, uvas-passas e seriado atualizado do Messias. Aliás, ele não é uma fraude. Tu não és. Eles não são. Somos luzes natalinas refletindo a paz e o amor que plantamos.
D-us está para todos nós, não importando com o mistério que nos é ocultado ou revelado, ou com o quão bêbada eu sinto-me. Não de álcool, mas da ilusão que não sinto no corpo e comemoro como se estivesse morta.
Leva o sorriso feliz para todos os outros dias que a estrela não estiver.
Nota
Quem faleceu os cabelos é a parte da esperança do texto que subirá segunda? O vinho é mais ou menos. O Natal tá mais para menos.













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