Quantas vidas hão de viver juntos? A oração é do tempo, pro tempo ou com tempo. Sem pressa!
Foi entregue no altar por duas vezes; confesso, não se quer mais. Não se quer ter que deixar ir! Mesmo que a ausência seja eminente, que a presença seja distante e que não sejam um. És querido em meu ser por mais alguns instantes. Posso?
Sentir e viver além dos sonhos de luzes e cores, além das visões, além do sentir do Espírito que habita conosco. Entregar para o Alto é assinar um compromisso de despedida. E ainda não estamos “despertos” para isso.
Ainda não se tocaram os lábios, não se sentiu o aroma dos cabelos. Nem o perfume do amor produzido por seus feitos. Não se quer ter que ver sumindo nos véus dos tempos.
És desejados debaixo da nudez, mergulhados em banhos de sais, sugando tudo que merecem. Não se deveria, mas é desejo! E como já escrito, se sente mais do que se deseja. E ainda nem se sabe dizer nada sobre tudo isso.
Sei que se quer abraçar! Tocar esta linda manhã de domingo e envolver-se em raios de sol canceriano. Arrancar os desejos infames, os versos sem sentido.
Quer-se o cheiro do café presente. Talvez tenha calculado os quilômetros, mas ainda não desceu as escadas, em busca de olhar a profundidade de onde se encontram.
Posso estar enganada, é possível que tenhas conhecimento do quão fundo e arenoso é o chão onde se pisa. Sabedoria neste caminho instável.
Perdão por colocar em todos estes versos, mesmo na certeza de que não se pode trazer! Chega de despedidas, precisamos das vindas. Querem-se as vindas e necessitam-se das permanências.
Quer-se saber das coisas que vêm do Alto; nós também. Mas não se deseja ver partir da vida, não se deseja ter que deixar ir, mesmo que já tenha ido há muito tempo.

Nota: tu voarias comigo, se houvesse tempo, outro tempo e mais tempo? Bom dia, Passarinho. (Quem és tu?)
Inspiração, maio 2020. Imagens: Arquivo pessoal






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