
Senti saudade ao fitarmos as estrelas;
Na busca da galáxia que uniria dois corpos peregrinos nesta Terra…
Dois céus em travessia e poesia.
Senti saudade da palavra ungida,
Dos lábios sedosos, da voz orvalhada;
Que abria os céus feridos pela vida
E em chuva de meteoros… minha estrada.
Saudade dos céus azuis, da manhã doura,
Dos fios de ouro em teus cabelos soltos;
Dos olhos brandos, do feitiço e da aura…
Do encanto que se enrosca em nossos pontos.
Sinto saudade das memórias vivas,
Das recompensas, das trocas, da dança;
Do velho encantamento das esquinas…
Da nova alma — em riso — qual criança.
Ah, quanta saudade do corpo em bronze,
Enfeitado de búzios, em festa e sal;
Brincando a infância entre siris e ondas…
Beijando o mar, desnorteando o véu.
Senti saudade dos piques, das tardes,
Do peixe sagrado na sexta-feira;
Do baile a findar o domingo em cores…
Do amor singelo; e o pastel na bandeja.
Ah, como sinto saudade dos natais,
Das freiras, das missas na escadaria;
Da festa de Santo Antônio em flor…
Dos biscoitos de nata — alquimia!
Balões no céu; festejos; procissão…
A tarde morna em oração e riso;
A programação sagrada de outrora…
A ternura moldando o paraíso.
Sinto que sinto; e em sentir me consagro…
Saudade é chama; é o nome do afago…
Saudade que em mim inteira se embrenha…
Saudade, doce, da minha abuela.












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