Chover São Francisco!



Ecoou em seu alto grito, seus céus.
Céu estrelado,
céu cintilante,
céu vistoso,
céu silencioso.

Ó raios e trovoadas,
por onde sopras os rezos e os preceitos!
Nove céus de luz em trevas.
Nove luas!
9!

Na nova, inicia;
na cheia, ilumina.
Não mingua!

Detenhas suas machadas,
suas espadas,
suas flechas em guerra.

Nem toda luta importa,
nem toda caça é própria,
nem toda pesca é justa.

Algumas nos valem a paz,
a fé
e o gozo de servir.
Outras nos arrancam a alma,
a pele,
a face
e nos levam as alegrias da vida.

Choveu,
e a terra molhada reza a ciranda
de quem nascerá regada
com as gotas do seu céu:
alaranjado, rosa, grisalho…

Nascer em dissertação,
em poesia,
em discernimento.

Crescer como vitória-régia no igapó,
viver como sua própria lenda.

Coloca um godê para colher desta água,
misturar com pétalas, mel e alecrim.

Dai-me a sorte da cheia, Senhor.
Lavei os olhos.
Acordei viva,
enxergando o silêncio
e o concreto.

Chorei, São Francisco.
Vai chover em tua tenda.
E a tua senhora que aliste o herdeiro para a romaria,
porque também choverás em seu manto.

Porque céu não é abrigo futuro,
é morada presente de causas.

Quais são tuas causas?
Quantas te tiram o sono,
a fome,
o crédito?

Tem jeito para essa causa?
Ou perderás o tempo
ao invés de jogar outra partida de baralho
enquanto perdes a moral dos velhos costumes..?

– Cheque e mate!



Nota:
não há causas no caderno,
nem malas,
nem currículo
ou cartas de recomendação,
nem as cartas de apocalipse.

Não há nada!
#kaf

Inspiração: Julho de 2022.

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