Beshalach: navegando o mar entre o ontem e o amanhã


Entramos na semana de Beshalach, cujo nome significa “Quando enviou”. É aquele momento crítico em que o Faraó — nosso ego limitador — finalmente nos deixa ir, mas logo em seguida se arrepende e passa a nos perseguir. É a energia do “pós-libertação”: você tomou uma decisão, mas o passado ainda corre atrás de você, tentando puxá-lo pelo calcanhar.


Já parou para pensar por que, mesmo quando a porta da gaiola abre, a gente hesita em voar? O medo do desconhecido é o mar à nossa frente. Na Cabalá, Beshalach é a parashá do impossível que se torna possível. O Mar Vermelho não se abriu por mágica; abriu-se por consciência. O Rav Berg sempre lembrava que as águas só se dividiram quando chegaram às narinas de Nachshon. Onde, na sua vida hoje, você está parado à beira da água esperando um milagre, quando o que o universo pede é o seu primeiro passo no escuro?


Proteção é ter direção


O Carnaval é uma explosão de alegria, mas também de desordem energética. Para quem vive o frenesi ou apenas tenta manter a sanidade, Beshalach oferece a “tecnologia” dos 72 Nomes de D-us. É uma frequência de proteção. Lembre-se da lição de Yitro: a estrutura. Ele ensinou Moisés a organizar o caos. No meio da festa ou da rotina, onde você está perdendo energia por falta de limites? O conselho de Yitro é o filtro necessário para não sermos drenados pelo coletivo.


Ao avançarmos, encontramos Mishpatim (“Leis”). À primeira vista, parece um código civil árido, mas o Talmud revela que essas leis são os vasos para a luz. É aqui que a espiritualidade aterrissa na terra. Coincidindo com o início da Quaresma e a proximidade do Ramadã, o cosmos ressalta a disciplina e a purificação.


Por que precisamos de regras para ser bons? Se a espiritualidade é livre, por que o Êxodo dedica tanto tempo a falar sobre como tratar um vizinho ou um animal? A resposta cabalística é que a Luz sem um recipiente (Kli) gera curto-circuito. No dia a dia, Mishpatim é a ética do invisível: escolher não falar mal de alguém, mesmo tendo razão. É sustentar sua integridade interna quando o mundo lá fora parece um tribunal sem juiz.


Os Salmos desta semana guiam esse estado de urgência e confiança:


Salmo 70: O grito do agora. “Apressa-te, ó D-us, em libertar-me”. É o mantra do socorro imediato para manter o foco quando o ego aperta.


Salmo 71: O salmo da resiliência. “Sê tu a minha rocha de habitação”. A “rocha” interna permanece mesmo quando as crises passam.


Salmo 72: A visão da Terra Prometida. A esperança de que, após a travessia, a fartura nos espera.


Estamos construindo


Muitas vezes, a imensidão à nossa frente não representa problemas, mas infinitas possibilidades. O ser humano teme a liberdade tanto quanto teme a prisão. Como diz o Zohar, a Luz está sempre disponível; o que falta é o vaso para recebê-la. Sua vida cotidiana é o deserto: um lugar de treinamento onde o Maná cai diariamente, mas você precisa ter a disciplina de não tentar estocar o que é para ser vivido apenas hoje.


O Criador pede: “Façam para Mim um Santuário, para que Eu habite neles” (Êxodo 25:8).

Note bem: não diz para habitar nele (no templo), mas neles (dentro de cada um). Terumá fala dessa construção voluntária. O Rav Ashlag enfatizava que o propósito da criação é transformar o “desejo de receber para si mesmo” em “desejo de receber para compartilhar”. Imagine que sua rotina é o Tabernáculo: o ouro é sua gratidão; a prata, sua bondade; o bronze, sua força de vontade.


Para refletir: Por que temos tanto medo de deixar o Egito se a escravidão dói tanto? O que em você ainda olha para trás com saudade das “cebolas do Egito” (aqueles vícios emocionais confortáveis)? Se o mar não abrir hoje, você está pronto para começar a nadar?


Que nesta semana você sinta o vento leste soprando a seu favor. Que tenha a coragem de Nachshon para molhar os pés e a sabedoria de Moisés para estender o cajado sobre o seu próprio caos. Que cada desafio seja apenas o mar se preparando para abrir.


Shavua Tov! Uma semana de travessias vitoriosas e proteção absoluta.


Fontes: Ensinandodesiao.com.br, Chabad.org, Zohar, Beshalach e Tehilim.

Deixe uma resposta

Com tecnologia WordPress.com.

Acima ↑

Descubra mais sobre Tem Flor

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading