
A linha de frente não é poética, não é saborosa, nem tem cheiro de chocolate, nem aroma de rosas. Não é um filme romântico, sem flores, beijos ardentes ou cartas de amantes. A linha de frente desmonta, despe em cima da fogueira, deixa sem chão, sem pés e sem lugar para chorar ou gritar. Engolir a lágrima que incessantemente brota na garganta sufoca, petrificando os olhos e amargurando o coração.
O que se faz na linha não terá registros mensuráveis. Mesmo existindo, serão gotículas em um oceano invisível. A linha de frente é árdua e pesada, mesmo fora do campo de batalha. O café é amargo, o almoço é engolido em silêncio, o telefonema para os filhos é tenso. O amor é o apanhador dos sonhos em tempos de pesadelos… Esconder sentimentos, transparecer amor sem derramar a alma. Não é fácil “estar forte”. A família é amparo ou luta.
Não se sabe quando se volta da linha de frente; e se voltar, já não se sabe como. Uma linha eterna, mesmo sem guerra. A linha é um limite invisível. No front, sentimentos são transcendidos. Perde-se amores, ganha-se amigos – na passagem civil. Não sou a linha de frente, embora sinta. Não estou, embora seja. Não é a linha que separa, mas as necessidades do ser.
Vendo o corpo, percebo nossa fragilidade… Somos fumaça luminosa transcendente. Quão à frente estás? Do tempo, terremoto, céu? Do espírito, ser, saber? Das decisões? Sei que estás à frente, nas escolhas. Tens consciência do teu propósito? Consegues ver, sentir?
Cuidem-se!
Aho. Inspiração, março 2020.












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