Nautas

Em que adianta ser um nauta? Cadê os nautas de outrora?

Dias desses li um artigo que dizia que uma cratera gigantesca está se formando ao leste do continente africano, o que acarretará o surgimento de um novo oceano (improvável que ocorra). Um fato do passado com aplicação no futuro, que em nada foi planejado por homens, apenas consequências de variados males ao ecossistema, ou leia-se, uma falha geológica.

O artigo ativou uma questão: “O que estamos construindo para o futuro?” Uma construção egoísta e hipócrita, falo por mim. Enquanto assassinamos florestas e oceanos, a natureza encarrega-se de fabricar do velho o futuro. Magnífico, né?! Mas não é bem assim. Reconstrução não é construção, é reparar do que já é existente.

Assim, não destruir algo seria a máxima do agir grato. Imagina: solo dividido, águas para os dois lados. Um continente separado mais uma vez e um oceano novinho para chamar de nosso. Nosso? Nada por aqui nos pertence.

E não existiremos mais nesta vida; há muitas camadas de terra a serem infiltradas, e o tempo da existência continua curto. Entretanto, a realidade humana é só sobreviver o tempo a que viemos. E a que viemos? Viver tem sido privilégio e misericórdia.

Escolhas infelizes, despreparo geral, egoísmos, relações, amores e fundamentos estranhos, bitcoin e dinheiro numa rede que não se pode tocar. Para além dessa tecnologia, o que restará? Que modelo de seres humanos ocuparão nossos lugares e substituirão os feitos de agora? Que sobrará de valores? De conceitos? Que tipo de amor?

As gerações culpam os antepassados por tantas crueldades gratuitas; eu nos culpo. Por não nos importarmos com o planeta, queimar florestas, aterrar lagos, mares e explorar pessoas. Educamos gentes que não tomarão vacinas, nem ordens, e não comprarão pão sem apertarem o botão do celular.

Não é um julgamento de escolhas. Não somos o tribunal Divino na terra, mas de que vale ser um nauta neste oceano? Doenças são substituídas para evitar guerras; ainda assim, desperdiçamos oportunidades. Será que merecemos existir ou precisamos disso para aprender a aprender?

Cadê os nautas de outrora?

Imagem: Ezio Anichini?

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