Herança

A Mãe da tataravó deveria ter sido desenhada nas páginas desses livros. A trisavó e a bisavó deveriam ter escrito por variadas linhas cursivas – tão belas! – nunca vistas, nem as paternas, nem as maternas.

As matriarcas nunca entrarão nestes livros sem as sombras, sem as raízes desenterradas, sem a nobreza ou sem a consciência de ser quem sempre fomos: meninas, amigas, filhas, mulheres, companheiras, esposas, mães, avós, viúvas – herdeiras!

Não faço questão dos escritos, dos livros ou do ventre que nos pariu o sangue e a sucessão. A herança está em lembrar de não esquecer quem fomos, somos e sempre seremos, mesmo que ninguém saiba de onde viemos ou para onde iremos – retornaremos, afinal, pertencemos!

Herdeiros, com todos os modos e por todos os meios, mesmo que as histórias estejam borradas, traquejadas, fraturadas. Somos as filhas e os filhos, a herança polida e sagrada guardada em aljava.

A honra pertence ao Dono, ao Arquiteto, ao Pai – Bendito és Tu, ó Eterno nosso Senhor! Abençoadas sejam todas as Mães!

Arte Mon Devane (editado cores)

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