Adentra o Corpo no Barco



Na margem do rio, onde o sol beija a água, um corpo se deixa levar pelo fluxo da existência. Adentra o corpo no barco, uma jornada sem destino, apenas o movimento da corrente.

A pele, como uma lâmina de prata, reflete o brilho do céu. O calor insalubre dos fornos da vida não conseguiu quebrantar sua essência. Pedra preciosa, polida pelas mãos do tempo.

Olhares singulares, gulosos do tempo, observam sua travessia. Dois pares de olhos, como âncoras, tentam segurá-la, mas ela se solta, livre, como uma ave migratória.

O corpo, um navio, ressuscita o que jazia esquecido na margem. Corpo quente, enfurecido, órcus, transpira fogo, feito para queimar as amarras do passado.

Na nudez da mente, véus de luz dançam. Corpo inteligente, robusto, felino, consome a morte em cúmulos de vida. Rasgado, esculpido, mas indestrutível.

Corpos jogados na lama, aos caranguejos, são lembranças do que ficou para trás. Mas este corpo, pesado de dias ensolarados e nublados, carrega a esperança.

E quando o barco se afasta da margem, o corpo se torna um ponto no horizonte, livre, ausente, mas presente em sua essência. Adentra o corpo no barco, e a alma navega.

Imagem: Pinterest

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