O Uso Terapêutico das Argilas na Saúde e no Bem-estar

A pele guarda fósseis de memória. Não apenas cicatrizes emocionais ou marcas do tempo, mas minerais. Ferro, magnésio, cálcio, sílica.

O corpo humano é, em certa medida, uma continuação da própria terra. Talvez por isso exista algo tão intuitivo e ancestral em cobrir o corpo com argila. Como se a pele reconhecesse o barro antes mesmo da razão compreender o ritual.

A geoterapia nasce dessa relação antiga entre humanidade e solo. Muito antes de laboratórios, povos originários, curandeiros africanos, egípcios, chineses e indígenas brasileiros já observavam que determinados tipos de terra tinham efeitos sobre inflamações, febres, dores, feridas e estados emocionais.

A argila era cataplasma, cosmético, medicina e proteção espiritual. Em muitas culturas, a terra nunca foi vista apenas como matéria. Era organismo vivo, ventre, memória e força curadora.

A ciência moderna começou a investigar com mais profundidade aquilo que os povos ancestrais já praticavam intuitivamente.

Hoje se sabe que certas argilas possuem ação absorvente, adsorvente, cicatrizante, anti-inflamatória, remineralizante e bactericida. Algumas ajudam a controlar oleosidade, outras estimulam circulação, aliviam tensões musculares e até favorecem processos de regeneração da pele.

Mas a geoterapia não se limita à estética. Ela trabalha presença.

Existe algo profundamente terapêutico em parar, preparar uma pasta de argila, sentir o cheiro mineral da água encontrando a terra e permitir que o corpo desacelere por alguns minutos.

O barro obriga o tempo a andar mais devagar.

A palavra “argila” parece simples, mas existem muitos tipos diferentes, cada um com composição mineral específica e usos terapêuticos distintos.

A argila verde talvez seja a mais popular. Rica em ferro, silício e alumínio, tornou-se famosa por seu poder de absorção. É muito usada em peles oleosas, acneicas e inflamações superficiais.

Também aparece em cataplasmas para dores musculares, inchaços e tensões. Algumas pessoas utilizam nos pés após longos períodos de cansaço físico ou emocional, como um banho de descarrego mineral.

A argila branca é mais delicada. Tem ação suavizante, cicatrizante e clareadora. Costuma ser indicada para peles sensíveis, maduras ou ressecadas. Em tratamentos naturais, muitas pessoas relatam sensação de serenidade após seu uso, como se ela retirasse excesso sem agredir. É uma argila associada ao cuidado gentil.

A argila vermelha carrega muito óxido de ferro e costuma ser relacionada à vitalidade e circulação. É bastante usada em tratamentos corporais, massagens e protocolos voltados para firmeza da pele. Há quem associe energeticamente essa argila à força, aterramento e coragem emocional.


A argila preta, mais rara e considerada uma das mais nobres, possui maior concentração de matéria orgânica e enxofre. É frequentemente utilizada em protocolos de desintoxicação e revitalização. Em spas e terapias naturais, costuma ser associada a processos profundos de renovação.

Existe ainda a rosa, mistura da branca com vermelha, muito usada em peles delicadas; a dourada, rica em silício; a cinza, conhecida por ação antioxidante; e até argilas vulcânicas, utilizadas em tratamentos termais ao redor do mundo.

Curiosamente, o uso terapêutico da terra não acontece apenas na superfície do corpo. Em alguns lugares do planeta existe a prática da geofagia, o consumo ritualístico ou medicinal de determinados tipos de argila.

Embora essa prática exista culturalmente há séculos, ela exige extremo cuidado. Consumir argilas sem procedência adequada pode causar intoxicações graves, contaminação por metais pesados, parasitas e obstruções intestinais.

Argila terapêutica não deve ser ingerida sem orientação profissional especializada.

Páginas: 1 2

Deixe uma resposta

Com tecnologia WordPress.com.

Acima ↑

Descubra mais sobre Tem Flor

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading