Do Flerte a Flecha.

Despir o espírito em notas suaves de rosas.
Despir a alma em notas sagradas de orações.
Despir o Átrio em notas suadas de gratidão.
Despir o corpo em notas ousadas de traduções.

Olhei o corpo que trouxe, beijei a mão e colhi as palavras.
Agradeci a voz, confirmei o canto, dancei o bramido que provocou.

São devidas proporções e fé há.
Supremacia e reverências, sonhos, visões, insights evoluídos.
Dissertações proporcionais – tensas.

O amanhecer chega com o orvalho tragando o sereno, dança comigo?
O re-existir (coexistir) consome as forças.

Saiba que não desejo-o como base.
Quero-te como o cavaleiro, e aspirar-te como o leal amante.

Acordei. Suor, calor incoerente, silêncio agressivo, abri a cortina, olha, as nuvens te buscam.

Despertei as margens da pele, o sal do oceano queimando o interno, os olhos, a alma.

Não estou na beira do mar – sou o próprio mar – e te desejei ao ouvir a embarcação sair para mais uma pesca.

Em que sótão se esconde? Lua.
Água serenada, um respirar fundo, uma oração muda, um suspirar inquirido.

E ao escrever, lembrei da Dagmar, ela fazia água solarizada para mim. – Que boa recordação da minha avó.

As mãos tocam-te o rosto, a pele corresponde à presença.
Seu olhar tenta fugir aos meus.
Não, por obséquio, não vá ainda.

Estou prestes a emergir, mas seu corpo, beijo e mãos, vão amar sem mim.

São donativos do estar despido do corpo, do toque mental, intelectual, astral.

Escrevi em algum texto que o encanto começa na mente; então, concluo que construção e destruição caminham na mesma estrada.

Dar para destruir o que não foi construído?

Ainda te vejo no campo, só existe nós, o vento, o mar, as flores da primavera que estão abrindo no verão.

Trago seu rosto para o ventre, seu olhar desfaz os laços do vestido, na mesma veemência que a mente beija as sombras.

Eu não uso vestido, em raras ocasiões, e refiz cada laço do espartilho, refiz cada sonho.

Quero sentir as mãos molhadas, sentir o cheiro e o calor do peito.
Quero saber o quanto aguento no seu abraço e o quanto sentirei depois, sem ele, sem ti.

Quero ouvir suas próprias palavras e dissertar sobre o silêncio.

Saber o que sentir, o que afagar e o que evitar em meus intentos.

Conta-me um segredo seu, só teu?
Prometo só ouvir.

Posso querer-te e sei que não posso ter.

O meu corpo compreende, castiga, grita, espelha a alma.

O corpo que não é meu, corpo esse, que muitas vezes sequer habito.

Ser consciente é prudente.
É amável e enriquecedor.

É como a força das cores na flecha do arqueiro.

A flecha atravessou o corpo, atingiu todos os chacras, expandido raios, sangrando as sombras.

Examinou a alma, solicitou o corpo, limpo, puro e firme.

E o corpo adoeceu novamente.

Nas cuias carrego partes do corpo, cada uma a seu tempo.

Cada dor a seu tratamento, cada sorriso na preciosa presença.

Cada desejo guardado na bagagem que não providenciarei.

Se cuida!

Ervas para consagrar o corpo, exercícios para curar a mente.
Cantos para alimentar a alma, orações para purificar.

O fogo vai arder o Átrio.
A águia requisitará o intelecto.
O Mestre, a Búfala, o Rino guiará conforme os novos caminhos.

Notas:

Os ventos obedecerão às decisões.
Mas aos céus subirão fumaças de lamentos e dores, e haverá impetuosas tempestades.

A terra requererá vidas mais próximas!
A ursa fortalecerá e ajudará nas curas necessárias.

É um expandir universal, mas solitário,
pois cada um precisa tomar a decisão certa,
no momento questionado.

Mergulharás mais profundo na montanha da águia,
em suas águas, nas violetas,
ou em novos caminhos com antigos conhecidos.

Sr. Junco…

Sonhos queimados nas matas, rios encharcados de medos e desesperos.
O céu ficará vermelho novamente, como tudo começou.

Aho! Uma cachoeira de responsabilidades!

Haja lágrimas, Mãe!

A água afogará todos os sentimentos!

O corpo, agora saudável, despido do ego e da psique, longe da oscilação, disciplinado,
revestido da consciência, revisitará sonhos calcificados da memória e trará novas oportunidades de expandir o que foi planejdo e almejado.

Gratidão ao Grande Espírito Eterno,
que habita em nossas vidas.

Textos republicados; inspiração Abril de 2020.

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