Ávila

A dor sufocou o grito.
Grito desesperado – gritou com os príncipes.
Dor da rainha sangrando no reino.

Gemido de ódio escondido nas pernas, recolhido.
Entre bosques e montanhas, jorrou sangue, enterrou pranto.
Chorou sobre a barra da saia, dormiu sob encantos.

Os olhos assemelham os rios.
As mãos trêmulas, envelhecidas.
Feição angelical, sumida nas sombras.
E o rastro desapareceu igual o trono.

A rainha rasgou os véus, tirou os tecidos finos, queimou os ouros. Desapareceu nas estradas de pedras e na fumaça do incenso, escondeu-se.

Ávila, por onde andas o rei, o meu rei?

– Nas suas águas – no véu que tu rasgou, para pintar o céu de azul e roxo. Das cinzas nascem pássaros e eles voam. Voa, mais alto! Para o Alto.

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