
O que provoca o desastre e a deficiência é a ausência do tato, do paladar, do ouvir, do provar, do gerir, das próprias capacidades, das mudas falas que não conseguem comunicar nem o básico do convívio.
Gracias pelo largo silêncio, pelas queixas caladas e por nos incluir em sonhos não nossos. Gracias pelas monografias que experimentamos no ano estranho, pelos discursos que não escutei, por todos os versículos que li e pelos estudos que não pratiquei. Gracias por todos os versos que doei e dediquei sem assinar. Por enobrecer meus textos com queixas sobre reticências, exageros de vírgulas e um universo infantil de interrogações e corpos…
Estranha cigana, apreciada herança, mas gosto de perguntas demais, gosto de sentimentos a mais e de responder com pergunta. O que provoca o choro e o sorriso é o mesmo destino: uma linha invisível e vermelha que nos acasala num mundo caótico onde luzes brilham e amigos abrem caminhos.
Gracias por escolher um. Por citar Tanya, o Alcorão, por doar o pão nosso e por mergulhar a cabeça nas águas e flechas das crenças e nas também suas encrencas. Gracias por adormecer os medos e livrar-nos de bolhas asquerosas, por olhar para si com zelo e alegria.
Gracias pelas mãos que curam, pelas velas que acendemos, por orar por nosotros e encontrar tempo para sorrir a vida, os filhos, o sol, D’us e as maravilhas da comunhão. Gracias por escolher viver, sobreviver, ouvir, ensinar, educar, caminhar, correr, voar… Gracias por escrever! Gracias por ficar, mesmo indo, sobretudo quando todo o mundo é ida. Nós também iremos! Logo mais estaremos em casa.
O que provoca a saudade nunca é (foi) ausência de nada que respira ou se movimenta, apenas profundezas e certezas. Saudade é algo como a presença Divina, não como primeiro amor, mas como Adão na criação, como Raquel em Ramá ou Agar com seu Ismael. Tipo da casa do Pai, não da mesa, mas do Templo, não dos olhos, mas da relva sendo orvalhada ou das colunas que não derrubam o muro.
Saudade nunca é terrena; os desejos são, mas as buscas não. Então, obrigada. Gracias por ser presente aos que te importam, aos que te furtam sorrisos dos olhos e aos que te ajudam ser melhor que hoje. Saudade nunca é nossa, mas ela estranha o corpo e medita sob tempos longínquos.







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