
“Belas almas reconhecem belas almas. Continue sendo genuíno. Seu povo irá encontrá-lo.” — Autor desconhecido
Há momentos em que o tempo se dobra em silêncio e nos chama de volta para dentro. Hoje, primeiro de agosto, véspera de Shabat, é um desses instantes. Um portal se abre. Um chamado sussurra.
Enquanto o céu se prepara para vestir a paz do sábado, algo em nós se inclina à escuta. Agosto nasce fértil. É mês de lembranças que ainda curam, de travessias que nos forjam e de renascimentos que não pedem licença. Um tempo de Av, logo Elul. Um ciclo que conversa com as estrelas e reverencia os ancestrais.
É tempo de silêncios sagrados. De lembrar que a travessia do deserto, como em Devarim, não foi feita apenas com passos silenciosos, mas com palavras. Palavras de despedida, de memória, de orientação. Palavras que libertam.
Este Shabat é o Sábado da Visão. O último antes de Tisha B’Av, dia de luto pela destruição dos Templos. Mas também dia de ver o que ainda pode ser reconstruído. De vislumbrar o templo dentro de si, mesmo entre as ruínas.
De erguer paredes, refazer alicerces, restaurar janelas internas que haviam se fechado pela dor ou pelo cansaço.
É hora de reunir os cacos com reverência, nomear os escombros com verdade, e perguntar:
“Qual parte de mim ainda deseja morar em mim?”
Em breve, Elul trará o sussurro: “Volta para ti mesmo.” Eis o tempo de fechar ciclos, pedir perdão, reconhecer feridas e escolher, com coragem, o que florescerá.
Os caminhos de agosto nos ensinam: é preciso coragem para cruzar portas. É preciso verdade para se manter aberto.
Agosto não exige silêncio, nem grito. Não exige perfeição. Exige presença.
Pede que sejamos forjados em propósito e maleáveis no afeto.
Traz cura através da memória, mas não qualquer memória: aquela que redime.
Recordar não é reviver. É olhar com honestidade para o que foi, para os traumas, as ausências, os templos caídos… e decidir o que será reconstruído.
É o momento de dizer:
Eu fui. Eu errei. Eu caminhei. Eu caí. Eu me calei. Mas estou aqui. Inteira. Inteiro. Disposta a viver diferente.
O tempo corre como um rio que sabe seu rumo. Mas ele não corre sem você. Ele aguarda sua presença.
Agosto é esse chamado: limpar a casa interna para receber os convidados da alma.
A cura disponível é a reconciliação com o passado.
A que merece cuidado: não se perder em luto ou culpa, mas mover-se com ternura, com honra por tudo o que se foi e por quem você ainda está se tornando.
🌱 A terra precisa de renovo. O que iniciar? O que encerrar?
1. Que tal iniciar um diário de escuta interior? Um gesto simples, mas sagrado.
2. Começar a preparar o coração para Rosh Hashaná. Fazer uma prece. Enviar uma palavra esquecida.
3. Que tal liberar vínculos e padrões que minam sua autenticidade? A voz que insiste em dizer que você não merece. O receio de não ser quem és.
Continue sendo genuína, genuíno. Mesmo que pareça solitário agora, esse é o brilho que atrairá os que têm olhos de ver.
No tempo certo, nossas famílias irão se encontrando.
Com o perfume que anuncia antes do passo.
Como um rio que reconhece o mar.
Como nomes que ressoam no átrio do outro.
Shabat Shalom. Aṣẹ no caminho.
O mês começou. E o que é nosso já está a caminho.
Inté, Cassiane Souza.












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