Como transcende o que envolve o corpo? Por muito tempo, a sombra foi invisível aos olhos, ao olhar crítico e contestador.

Estava ali, o corpo de frente pro espelho, tentando encontrar o ser que refletia a cor. Mas não encontrou. É como se no corpo não coubesse a alma. E essa alma não suportava o corpo. Um corpo carnal, cheio de presenças, carregando células sem digitais.
A alma não frequentava o corpo, e o espírito não pairava nele. Era um corpo moldado no esqueleto, revestido em pele brilhando a cor ilusória do mundo. O corpo descrente da crença. A crença mentindo pro corpo. O corpo vagando na rua. E a sombra pedindo espaço. Ser luminoso fora da luz.
Por muito tempo, a sombra foi invadida pelo sentir egoísta e manipulador. Estava ali, a alma de frente pro mar, tentando ver a luz que fizesse emergir da água. Mas não conseguiu. É como se a alma morasse lá, nas montanhas, aos pés do mar. Ainda mora? E a cor não refletia a água. Água, afluente da alma. Invisível e inspiradora do ser, alimentando a luz. A luz da vida que não brilhava no ser. E o espírito não mergulhava o corpo.
Era a luz encaminhando o corpo e a sombra iluminando o espírito. O corpo frustrado com o mundo. O mundo usufruindo do corpo. O corpo sangrando avenidas. E a sombra desfazendo os atalhos. Ser poderoso fora do corpo.
Como suporta as experiências silenciosas que esconde no olhar? Ser que vê o olhar e não sente. Corpo que pertence e não habita. Sorriso que esconde o que projeta. Asas que deixam ser. Mergulha no ar, mais alto, em presença, em certezas, em teorias criadas, em sonhos, em déjà-vus.
Como sentir sem ser? Vejo o olhar na mesma proporção que esconde o sorriso. Sinto a alma na mesma intensidade que guarda o espírito. É só conexão e presença estabelecida. Seja!
Imagem: Pinterest









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