Reservei o dia

Reservei o dia. O Dia. E ele ainda nem nascia, nem surgia nas águas. Agitadas marés! E são as ingratas, que conduzem noites em calmarias.
A melancolia do Dia. Sobriedade que fertiliza o tempo e cria as magias dos dias que não importam tanto. Como um dia de chuva, como um dia de sol. Um dia que não chegará para os nossos entes.
Fortifica, principia, solidariza, ressuscita! Que puta covardia é a morte. Não importa a crença, a morte é mestra, ouve ópera e dança jazz, enquanto que a lágrima, essa, molha o sorriso calado e perdido do dia.
Guardei as lágrimas, reservei um dia para todas elas. As que caírem, não são por minha conta.
É a foda do dia que brotou. Nocivo aviso. Não importa, sozinhos ou não, é sempre conosco.
É o dia, Dia! E agora, já é noite. Pra quem é de noite, boa noite.

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