
É a pergunta que ecoa ao ler a história de Balaque e Balaão. Mesmo com ouvidos atentos, teve os olhos cerrados no caminho. Daí o texto segue com uma jumenta que enxerga o perigo e faz de tudo para proteger seu senhor, mas que em sua cegueira e ignorância só faz maltratar e desprezar a lealdade da jumenta.
Balaão, nem tão estrangeiro, nem nada ortodoxo. Muitos acham que para pertencer é preciso sangue e linhagem, mas o pertencimento está em ser quem viemos. E ser com tudo que temos. E ser com a alma e com os olhos abertos.
Até a jumenta, ao ver os anjos do Senhor, se prostra em obediência e honra para servir seu dono, enquanto seres humanos mal respeitam os pais, os mais velhos, o próximo (que pode ser uma autoridade do governo ou alguém em situação de rua pedindo ajuda) ou simplesmente a si mesmo.
Respeitar-se deve ser o primeiro passo. Respeitar quem és! Reconhecer quem somos. Respeitar princípios, valores, culturas, crenças e todas as suas formas de expressões. E são muitas.
É necessário respeitar o que pertence a ti e ao outro, respeitar também o que não pertence e o que não cabe, o que não faz parte de ti. Saiba reconhecer e aplicar limites, compreender e raciocinar, transformar a própria realidade, afim de melhorar como pessoa, e sem esquecer que maior que qualquer um de nós é sempre o vosso Senhor.
Que não sejas necessário anjos com espadas desembainhadas nos caminhos para ensinar sobre respeitos, hierarquias e servidões, mas se a ira Divina chegar por conta dos maus feitos ou até dos bons, que tenhas uma jumenta fiel contigo para lhe poupar a vida.
Que os intentos do coração sejam claros e que os olhos não sejam cegos nos vossos feitos. Que tu saibas a quem servir. E sabendo, que saiba como servir e como obedecer. Não sejamos cegos no espírito.
A história de Balaque e Balaão termina na parashah do meu nascimento, Pinchás. Uma outra história bem interessante e cheia de consciências que não creio.
Referências
– Números 22-24 (História de Balaque e Balaão)
– Parashah Pinchás (Números 25:10-30:1)






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