
Estranho presente. Senti que a vida é brecha que desperta no céu. Ah, mas Cassie, nem creio nesse tal de céu, dilúvio, barco de pesca. Nem nós. O que acreditamos é no invisível que não vemos, no soprar que nos desperta em cada manhã, no sentir que faz o coração bombear oxigênio sem solicitar quase nada em troca.
Quase nada, porque a vida é coletiva, desde o nascer até o morrer. É um com o outro, desde o andar até o correr. O quanto corremos uns dos outros? No trem, nas ruas, nas cidades, no entrar e sair do elevador? O quanto nos despedimos em cada estação? Na do trem? Na do pouso? Na estação da vida…
É um estranho presente. A ida sempre será uma volta para casa e outra para despedida. O quanto suportamos? O corpo é frágil, a alma é longa. E o sorriso? Quanto tempo um sorriso fica estampado em nossas mentes? Quanto tempo podemos sentir um abraço que não teremos mais? Nossa, o tempo voa sem nós… outros estranhos ausentes.
O caminhar do pousar é um tipo de aroma único, um tipo de letra sem palavras, sem direção ou explicação. Sem poesias. Sem ausências ou presenças… é só um estar… que eu esteja onde precisar! Tem abraços que nos reinicia.
Imagem: Pinterest












Deixe uma resposta