
Os pés e o rosto queimam; a pele fria do rosto, ora rosada, ora descolorada, curva-se para terra e transborda seus líquidos: lágrimas, suor, sangue. Os pés sangram, os olhos e o coração também.
Suor frio, corpo quente; tudo permanece quente. Aqueça o coração! Lembra onde deixou a flecha!
Zumbido ensurdecedor, passos de gentes, alguns pássaros entoando cânticos, outros comunicando mortes: viver é preciso?! O que te faz felicidade?
Salomé, sempre volta com oferenda de liberdade e vivências: fruta doce, poesia fresca e lanças que não são minhas. Essa na beira do rio é sua! Pega a flecha, porque, senão, quem sangra sou eu.
Doce silêncio da mata; silencioso é o caminhar. Os ouvidos fecham, mas a mente e o coração não devem fechar. Que liberdade é essa, Salomé?






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