Vão Pensar e Dizer o Que Quiserem.



Vão pensar e dizer o que quiserem. Porque… vão!
Nada do que vem do outro diz respeito a ti.

Do que quiserem vão comer e beber.
Vão se alimentar dos próprios desejos,
Saborear o veneno e os prazeres.

Vão pensar o que tiverem que pensar,
Mas tu não pertence!
E nada do que sai de mim pensa em ti.

Vão dizer palavras sábias, sóbrias, imaculadas.
E não saberão de sabedorias sagradas.

Verão suas lágrimas, dores, cores.
Pisarão no mesmo chão nobre, na mesma tenda.
Celebrarão em cima de sangue derramado.

Vão gritar, agonizar, adormecer.
Vão querer os palanques, os altares.
As estacas, os curativos.

Vão sair às ruas, visitar becos vazios,
Mas não vão encontrar.
Já não estarão!

Eles vão querer a cura sem degustar o antídoto.
Vão querer tocar a sinfonia da alma,
E não vão conseguir ouvir.

Vão querer ter engolido mais sapos,
Ter bebido mais águas, mais vinhos,
Ter plantado mais flores, colhido amores.

Senhor, o mato é alto,
Cura a pele cortada dos teus filhos,
Porque nenhum aluá, cataplasma ou espinho cravado sarará.

Eles vão dizer que somos loucos,
E seremos!
Eles vão querer também ter sido.

Mas nada do que sinto diz respeito a eles.
Nada na vida que respiramos revela samsāra.

Nota: justiça também é cura!

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