
Acordei ao alvorecer,
Um cheiro de jaca pairou, meus pensamentos embarcaram.
Tenho uma fotografia de jaca na memória da áurea,
Sonhei com jaca ou contigo? Saia dos meus sonhos, por gentileza calma.
Senti um perfume, um suspiro doce do pecado ao lado,
Um aroma que me envolve, um desejo que não passa.
E se, por acaso, eu perdi o sono e ousei escrever,
Sobre teus lábios, suaves como os gomos selvagens da jaca.
Tu gostas de jaca? Eu não sou fã de jaca,
Nem de melancia, nem de goiaba, mas eu poderia ser tiete.
Ser o fruto proibido, a fruta líquida que escorre rios,
Mas não devo, nem provar, nem saborear deste sumo.
Me resta apenas rabiscar… Vou rabiscar a pele,
Como seu nome, escrever meu ígneo em fruto de sedução,
Encantar meus versos, suspirar meu corpo… Ahhh!
É um luxo em meio ao jardim do cartão-postal,
Um fruto embellezando o caminho sobre meu olhar embaçado.
Uma metáfora tomada por toda carne de caju…
Eu lambuzaria-me com o suco quente do teu beijo,
Provaria da tua carne sob céus radiantes, estrelados.
Acordaríamos em alguma primavera florida, por nossas Mães.
Com o perfume de jaca, o sabor dos beijos e cor de alguma saudade.
Mas ainda é verão… Eu ainda tenho cinco invernos,
60 luas de espera ou esperança; para todo afeto há tempo.
Eu me perderei dos teus olhos, desaguarei meu rio,
No mar dos desejos selados, onde o átrio é o único guia.
Mas esse verão ainda há de me envolver,
E o outono manterá os lábios rachados, secos, degustando,
Apenas um intenso, silencioso e inebriante desejo,
Que arde, que queima, que consome, e não deixará ser esquecido.








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