Autocuidar-se também é resistir

24 de Julho – Dia Internacional do Autocuidado
Autocuidar-se também é resistir

Autocuidado é mais do que um hábito: é um gesto político, cultural e vital. Celebrado no dia 24 de julho, o Dia Internacional do Autocuidado nos convida a olhar com mais profundidade para como estamos cuidando de nós mesmos – e que condições reais temos para isso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define autocuidado como a capacidade de indivíduos, famílias e comunidades promoverem saúde, prevenirem doenças e lidarem com elas, com ou sem o apoio de um profissional de saúde. Isso abrange desde hábitos de higiene, nutrição e práticas corporais até escolhas de vida, vínculos sociais, ambiente e fatores econômicos.

Mas, em um país marcado por desigualdade estrutural, onde muitas pessoas vivem em estado constante de alerta, cansaço e falta de acesso, falar de autocuidado exige responsabilidade. Não podemos tratar esse tema apenas como uma escolha individual ou um luxo reservado a quem pode parar.

O autocuidado é essencial para a prevenção de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, AVC e problemas cardíacos – condições que, segundo a OMS, poderiam ser evitadas em até 80% dos casos com ações simples e contínuas de saúde. Além disso, estudos mostram que práticas conscientes de cuidado pessoal poderiam gerar uma economia de cerca de R$ 400 milhões ao sistema de saúde pública brasileira, apenas com o uso responsável de medicamentos isentos de prescrição.

Mas atenção: autocuidar-se também é se educar. A Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) alerta para o uso correto desses medicamentos, sempre registrados na ANVISA, e reforça a importância de ler com atenção as informações da embalagem e seguir orientações profissionais, quando necessário. Autonomia não é o mesmo que improviso.

Mais do que isso: o autocuidado precisa ser entendido como um gesto de escuta. Escuta do corpo, da mente, das emoções e das relações. É escolher se alimentar com mais consciência, movimentar o corpo com prazer, respeitar o próprio ritmo, cultivar o silêncio e também o afeto. É se dar o direito ao descanso, ao lazer, à solitude e à vida comunitária.

A OMS aponta sete pilares fundamentais do autocuidado:

  1. Conhecimento e alfabetização em saúde

  2. Consciência de atitudes de risco

  3. Boa higiene

  4. Alimentação saudável

  5. Prática de atividades físicas

  6. Bem-estar mental e autoconsciência

  7. Uso responsável e informado de produtos de saúde

No entanto, para muitas pessoas, esses pilares ainda são um privilégio distante. Por isso, é necessário ampliar esse debate: autocuidar-se é também lutar por políticas públicas que garantam acesso à informação, alimentação adequada, moradia digna, água potável, educação, tempo livre e atendimento de saúde humanizado.

Em um mundo acelerado, desigual e muitas vezes adoecedor, o autocuidado precisa ser entendido como resistência. Não se trata apenas de cremes, cápsulas ou retiros silenciosos. Trata-se de sobrevivência digna. Trata-se de viver com presença, afeto e inteireza, mesmo diante das dores do caminho.

Autocuidar-se é um ato de amor que começa dentro, mas só floresce quando cultivado também em coletivo. Que esse 24 de julho nos lembre disso.

Cassiane Souza


Fonte: PROJETO DE LEI N.º 9.714, DE 2018. Apresentado pelo Sr. Odorico Monteiro. Disponível em: [link para o projeto de lei]. Acesso em: janeiro, 2025

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