
A vida me quebrou de tantas maneiras que ainda não descobri de quantas partes se pode renascer… Quantas mortes o corpo aguenta? Quanto ar leva um sopro de vida?
Há sempre algo no invisível da pele… nos olhos, nos lábios, nas palavras que não são escritas.
Há um descaso com o corpo que deambula quebrado, porque há aparência de saudável. Há riso, há peso, há cor nos dias, e tudo fica apressadamente ignorado.
Qual cor é a pele dos órgãos viscerais? Se o coração parasse por alguns segundos, ninguém sequer perceberia.
Um órgão partido caminha sem ar por várias horas do dia… Diagnosticado: ansioso, depressivo, bipolar, reativo.
Um corpo refeito de alguma parte tem a sensação da falta constante. Falta uma parte do corpo. Não é a sutura, é a parte que foi enxertada.
Os órgãos ainda estão vivos?
Meu verso segue me mantendo em pé. De pé, olhando o mundo evoluir. Vamos a Marte ou à Lua no próximo ano? [Vamos à terra de nossas mães.]
A vida sempre quebrando. Mas me mantive feliz. Me fiz alegre e gente boa. Não inventei sorrisos… apenas sorri, como quem carrega a própria medicina.
Só não sei que parte renascida mantém tudo isso funcionando… mas o que sustenta a cabeça, eu sei.
Cassiane Souza












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