Um pai de muitas sementes aprofunda suas raízes, sobe com o tronco, retém água, une forças, histórias e tempo. A poderosa ancestral, uma das mais prósperas, é a árvore mais antiga das sobreviventes, a planetária, a matriarca, a sabedoria da existência. Libertos na seiva das raízes, é um embondeiro.
O caos da árvore não é invisível; estação após estação, todos veem os ganhos e as perdas. Folhas são nutridas, flores surgem, frutos brotam. E tudo murcha numa nudez nua.
Todo aquele vale verdejante agora luta entre tons marrons e amarelados, quase um vale da morte, mas não, é só o clima, seco e caloroso, castigando o corpo robusto, desafiando o tempo. O tempo não é um pássaro, mas sobrevoa horizontes em raios de sol que apontam, trazendo calor à carcaça aparentemente ressecada.
Oh, que formosura de nuvens se formam no arranha-céus! A água traz renovação, o fluir da vida, a transmutação do ser, o alicerce da selva que precisa continuar… A folha que necessita brotar.
O ar que não pode faltar: a vida que morre, a vida que vive. E os rios emergem com o brilho transparente do ser… Ó deleite que escorre ao mar, movimenta oceanos na resistência e ressurgência que não vemos, mas sabemos que ela ainda está lá.
Por aqui, outras raízes acordam, sabem que o caos provocado pelas estações não são mais que tempos dormentes, caos dormentes, raízes dormentes, hibernadas, vivas. Vida que acorda!
Arquivos | 2021









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