Mulher: A Líder que tem muitos cargos

Mulher não pede permissão. Ela acontece. Abre o caminho antes mesmo de caminhar.

Liderar não é escolha, é sina antiga. É destino riscado na poeira da encruzilhada.
Se tentarem silenciá-la — e tentarão — recorde-se de que é palavra que pulsa. Verbo vivo e criativo.
Se fecharem as portas, sorria. Tens chaves na palma das mãos.
O mundo insiste em dividir mulheres. Mas somos movimento circular. Giramos no movimento que costura os opostos.
Mulher não é um osso da história. É o esqueleto que sustenta o mundo enquanto o mundo engatinha. É a curva que contorna o destino. É a força que estrutura o Universo enquanto tudo ainda aprende a ficar de pé.
Quando duvidarem de você, lembre-se:
quem nasce em encruzilhada não teme escolher o próprio caminho.
Mulher não é explicação, é fundamento.
E quem tenta apagá-la descobre tarde demais que sombra também queima.

Cassiane Souza

Nota: Liderar nunca foi opção. Sempre foi condição.

Março abre o calendário como quem abre uma janela. Não importa se o céu está claro ou nublado. O que importa é o que pulsa por dentro. É a semana em que o mundo ensaia discursos sobre mulheres, distribui flores e frases prontas, enquanto tantas seguem sustentando estruturas invisíveis antes mesmo do primeiro café da segunda-feira.

Há uma personagem no cinema que carrega um segredo que nunca foi exatamente seu. A história a observa com desconfiança. A sociedade a mede com régua torta. Ela sustenta culpas que não assinou e enfrenta julgamentos que não mereceu. Ainda assim, permanece de pé. Não intacta. Mas inteira.

Quantas de nós aprendemos cedo a administrar o olhar do outro? Quantas vezes fomos fortes porque não havia alternativa?


O “segredo” que atravessa tantas histórias femininas talvez seja este: sobrevivemos ao silêncio que tentaram nos impor.

Ao mesmo tempo, existe uma filosofia que afirma que liderança não depende de cargo formal. Que liderar é atitude, responsabilidade, caráter. Se assim for, então a mulher é líder desde sempre. Antes do crachá. Antes do reconhecimento. Antes da promoção.
Ela lidera a equipe e também a casa. Lidera projetos e também afetos. Lidera crises profissionais enquanto o próprio corpo atravessa ciclos hormonais que exigem adaptação constante.

Resiliência não como palavra bonita em reunião corporativa. Resiliência como prática biológica, emocional e social.



Entre revisar a folha de pagamento, lidar com faltas e atrasos, responder mensagens acumuladas, ainda há espaço para pensar na própria saúde. Uma salada de abacate com frango grelhado? Um omelete de brócolis com queijo quando o tempo encurta? Pequenas decisões que mantêm o corpo funcionando enquanto o mundo exige performance contínua.

E ainda há quem reduza a mulher a “instabilidade”. Instável é o sistema que exige excelência e oferece desconfiança. Instável é a cultura que celebra o Dia da Mulher e ignora a mulher no restante do ano.

A lei garante. Direitos estão escritos. Protocolos existem. Mas humanidade não se imprime em papel timbrado. Humanidade se pratica no olhar, na escuta, no respeito ao corpo que pare, que sangra, que sente.

E a pergunta é inevitável: ainda há humanos suficientes para sustentar a palavra humanizado?

Por aqui, o quartzo rosa repousa na mesa como símbolo de amor e autoestima. Não como superstição, mas como lembrete: quem sustenta muitos cargos precisa sustentar a si mesma. Amor-próprio não é luxo místico. É estratégia de continuidade.

A sociedade gosta de mulheres fortes, desde que não sejam incômodas. Competentes, desde que não disputem espaço. Sensíveis, desde que não expressem indignação. Mas a essência feminina não cabe em moldes estreitos.

Ser mulher é ser múltipla sem ser fragmentada. É adaptar-se sem perder o centro. É acolher e confrontar quando necessário. É existir com majestosa potência, mesmo quando tentam reduzir sua voz.



Há canções que tentam definir as mulheres a partir do olhar masculino. Há histórias que nos colocam como mistério a ser decifrado. Talvez esteja na hora de inverter o foco. Não somos enigma. Somos complexidade consciente.

Março não é apenas transição de estação. É convite à reflexão. Não sobre o que esperam de nós, mas sobre o que escolhemos sustentar.

A Mulher têm muitos cargos e não precisa de autorização para existir. Ela já construiu, organizou, cuidou, transformou. Já recomeçou inúmeras vezes enquanto o mundo acreditava que ela apenas “dava conta”.

Para a mulher, liderar nunca foi opção. Sempre foi condição. E, apesar das tentativas de apagamento, há algo que permanece indomável: a certeza de que a essência feminina não é detalhe da história. É força estruturante.

Uma majestosa semana! Inté.

Inspiração do texto:

Filme: O Segredo de Susana. Livro: O Líder que Não Tinha Cargo. Música: Mulheres de Atenas. Composição: Chico Buarque

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