
Uma pausa entre o cérebro e os passos, entre os lábios e as ressalvas. Um recesso com o que afunda a mente, um refúgio com o que eleva a alma.
Um intervalo entre o beijo e o rosto, entre o gozo e a aura, entre o copo e o corpo. Um recesso entre a raiz e a semente, entre o plantar e o estar. Isto é intervalo… um tecer no caminhar das almas.
Um intervalo entre amantes e famílias, entre filhos e agregados. Recessos, Dr. Inverno.
Um intervalo entre fumaças que escondem olhares e crescimentos, que alternam o mal-estar entre palavras e a liberdade da escuta. Um intervalo que pousa.
Um recesso em outro planeta, um alfinete no mapa que cria a história, um mergulho no Pai que finda a escrita. Um recesso para a liberdade! Aviso prévio: tudo passa! Isto é intervalo!
Entre os pobres e os ricos poetas, entre mães e pais, entre tios e avós, entre as nações e políticos, entre templos e sacerdotes. Isto é intervalo… choro seco, vinho seco, uvas secas, e a direção geral fica distorcida.
Um recesso traiçoeiro. Isto também é intervalo.
Um recesso prévio de paz para separar o que precisa estar e o que necessita caminhar. Um recesso para os que ficam e para os que vão.
Isto é intervalo… entre o profano e o santo, entre a deusa e a fogueira, entre o líquido e o perfume, entre o puerpério e o nascimento.
É intervalo entre a entrega e a perpétua poesia.
Um recesso nas matas, nas águas debaixo das terras, no orvalhar das folhas, no contar das estrelas, no mergulhar dos nove céus.
Isto é intervalo, no guardar o inverno, no gritar da Búfala, no caminhar da Loba.








Deixe uma resposta