Febre no Inverno



Libertando-me da antiga pele, do suor ansioso, da febre fria. Troquei de batom, de crenças, de filosofias. Tirei as vendas dos olhos e comprei um termômetro novo. Esvaziei os armários, a casa; troquei de lar, não tenho mais vestidos.

Acendi a última sálvia. É uma noite úmida, barulhenta; o vento assopra verdades, rasga véus, abre os céus. Madrugada, insônia. Os versos pedem companhia; a epiderme queima.

Galo canta, já é quase dia. Aumentam os batimentos, aceleram os pensamentos, acalmam a febre da sede – quero as mãos! Os últimos suspiros, estou sem ar…

Cede uma dose das tuas sete vidas de gato? Me serve a dose do seu amar!

Inspiración, julho de 2019.

Imagem: Pinterest

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