[Esse texto não é carta]

Não há palavras, versos ou encantaria para sentir; não há nem mar! Não há sequer o sentir que a brisa nos ouvidos. Nada! Nem batom vermelho, nem faísca alucinante. Nada! Nem o corpo, nem espírito.
Aquele “nada” descrito na última carta nunca mais foi embora. O falecer foi uma verdade evidente, seguida de luto eminente. Não pensei que desligar seria ansioso, doloroso, alérgico. Pensei que a carruagem levaria tudo de uma só vez; enganei-me.
O nada aumentou em graus e estâncias, exibiu o fulgor de quem costumo ser. Desejos descem por ladeiras… Não há como elevar. Há uma escada que quebrei, e sem subir, fico imóvel vislumbrando os sorrisos, os olhares e os corpos que não deveriam habitar.
Namorado, não quero furtar sua carta, mas meus olhos estão cegos. Quero sua presença. Montar peças de Lego enquanto observo na penumbra um estudo de ossos. Quem está estudando anatomia? Sobrevivemos!
Dias gloriosos, dolorosos, horrorosos e, em outros dias, espirros, olhos lacrimejantes, vocais inflamados. Vinte mil espirros! Eu preciso trabalhar, dormir, viajar para outro planeta e a Mãe manda banhar.
Aqui, as palavras estão escassas, os sentimentos abstêmios. Nulos. Tentei escrever o jardim, falhei. Tentei penetrar o rio em Yobá, falhei. Tentei sobrevoar e nem um céu de suspiro ou uma bola de algodão que trouxesse o macio no paladar. Falhei. Nem os arcanjos e nem os arranjos.
As cartas do tarot há um buquê, duas torres, uma navalha e uma sacerdotisa que enterrou e plantou uma roseira em cima de suas três taças. Enfim, enamorados. Ainda que não sejamos visitados em nenhuma cidade histórica. Mas bares e portos estarão sempre abertos ao público, inclusive para navegar passes. Mantras… para nós, bênçãos! Feliz ciclo!








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