
A poesia quer decifrar os lábios, os olhos, provocar orgasmos.
Não quer tocar o corpo, nem sentir a pele de lobo.
Já observou o olhar de sua matilha?
Uma calmaria feita de suor, sorriso e dor.
Nenhuma família é perfeita.
Nenhum homem pode ser o que quiser;
é o que se precisa ser.
O corpo é o que come e tem boca que só consome,
abominando o ato, mas engolindo todo tipo de vício:
líquidos fluídos, sangue, dor.
Tem homens que nem deviam ser.
A poesia quer o ranger dos dentes,
as mãos devorando todo silêncio.
Quer escrever os sussurros, expurgar a alma.
Já desejou voar livre?
As andorinhas voam contra o vento.
O João entende de barro e de lar.
São aves fascinantes.
Imagem: Eloy Bida








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