O Estado de Árvore: A boa razão das coisas.

“É preciso entrar em estado de árvore. É preciso entrar em estado de palavra.” Manoel de Barros

O outono se instala. É o tempo em que a árvore, sabiamente, deixa cair o que não serve mais para transmutar em si. O oráculo se abre: o “estado de árvore”, com ou sem o torpor do lagarto, inicia sua decomposição. Não há erro na queda das folhas; há estratégia.

Saber é bom. Não saber, é melhor. Mas saber é preciso.

Nesta travessia de outono, a Libélula traz um vacilante pretérito, remetendo-nos às ilusões de outrora, acordando-nos para as de agora. O ser humano, na transformação ilusória do Dragão sábio e astuto em uma Libélula, busca a liberdade. Como no Pessach, buscamos sair do cativeiro das aparências.

​Já a Raposa nos faz sair da toca com cuidado, sem precisar caminhar para o galinheiro. Uma Raposa que se camufla e esconde os rastros com folhas de samambaia para proteger quem? A matilha? A vida. A árvore serve tanto à Libélula quanto à Raposa. Serve ao Falcão e ao Coelho. Todos pertencem à Natureza da vida.

O Fio da Lâmina

O ser está para servir, seja como galho para macacos ou alimento para pássaros. Para isso, é preciso força. Sob a inspiração oculta de quem abre caminhos e de quem forja o destino, olhamos para nossas mãos. Abençoe suas ferramentas de trabalho, estudo e exercícios. A pedra da roda que queima a fumaça de luz curativa do cachimbo de fogo exige precisão. Limpe, cuide. Jogue fora o desnecessário — o outono é o descarte sagrado. Vale mais o sorriso simples do que o ouro carregado de dor e sangue? Sim. O dente de ouro ainda brilhará. E vale o investimento? “Vale!”

​A Transcendência

​Não se camuflam além. Nem se iludam. Nem tudo são flores. Nem tudo é ouro. O que está por baixo pode estar podre, e o outono revela a terra nua. Mas confie na força e nas palavras. Confie no estado de árvore.

Manoel sabia que, para enxergar sem feitio, era preciso não saber nada. Eu queria não saber nada. E se nada soubesse, seria livre de clareza? Ainda assim, saberia. O universo agradece quando desatamos os nós e equilibramos o masculino e o feminino que há em nós.

Não há boa razão nas muitas coisas que fazemos. Não há sorte. Nem erros, nem diferenças, nem consciências. Há caminhos. Muitos caminhos.

Sirva por quanto necessário, mas não esqueça dos caminhos percorridos na mata. Saiba que, quando o tempo de maturação chegar, nesta passagem, neste Pessach pessoal, você precisará transcender e voar por céus imprevisíveis.

🧿 Ore. Medita. Beba água. Se amem. Se cuidem.

🕯 Estratégia que rouba a alma? Não. Estratégia que liberta a vida.

​Boa semana pra nós!

Deixe uma resposta

Com tecnologia WordPress.com.

Acima ↑

Descubra mais sobre Blog Tem Flor

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading