Uma muda de coentro, duas alpargatas, cem fios de cabelos brancos, uma agenda antiga do ano em que a vida parou.
Perdi dois anos. Deve ser esse o pensamento ou sentimento, mas ganhei um ano guardada nas mãos da Existência; mesmo morta, sobrevivo nos belos cuidados do Eterno.
Caixas de papelão, compras demais, mudanças de alguns e camas para um montão de gente fria e solitária. Duas lágrimas.
Ando chorosa; eu sempre fui, na verdade. Chorei por tantos motivos tolos e guardei lágrimas por motivos nobres.
Helicópteros, acordemos! Podem passar com seus barulhos e insultos e levar-nos daqui? Aviões não têm porta-luvas, mas levam cães e gatos para saciarem saudades. Sorte!
As palavras estão empoeiradas na mesa, junto com o café frio que bebeste, mas é porque assim o fizeste, com água em temperatura ambiente, deixado numa beira de janela em pleno inverno europeu. Congelou.
O vento solidifica qualquer líquido no caminho: café, gin, chuva ou lágrima… E o meu vinho sem álcool combina com as palavras enterradas no canteiro da rua, daquela mesma rua que passaste todo dia santo para ir planejar o futuro.
Por onde andam os teus sonhos?










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