
Este texto, sem cor, sem rima,
sem música ou melodia,
não oferece esperança.
Despojado de vontades,
os desejos estão nus —
sem sentimentos.
Este amontoado de letras
exala odores ruins.
Ninguém merece estar aqui,
nem você.
O ar está impregnado de cheiros:
morte, sangue, perfumes,
álcool, cloro e nicotina.
Dipirona misturada
ao cheiro da própria morte.
A morte tem endereços
e tem cheiros.
Neste exato momento,
alguém está morrendo.
Sentimentos mortos são enterrados,
queimados, incinerados.
Crianças perdem famílias,
mães perdem filhos…
O último perfume
é sempre o da perda.
Derramei todo o frasco —
restaram apenas lembranças.
Não se engane:
este texto é para você.
Sinta o perfume atravessando a tela,
exalando em seus pensamentos,
anunciando um adeus solitário.
Não importa o preço
do perfume derramado,
D-us é maior que tudo.
Nota:
o último perfume é sempre o da perda.
Inspiração, outubro, 2018.






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